Questões Intrincadas sobre o Espiritismo

 

 

Amigos,

 

Recebemos recentemente uma série de questões, enviadas pelo Alan, que abordam temas interessantes da Doutrina Espírita. São questões muitas vezes colocadas por irmãos que chegam ao Espiritismo vindo de outras filiações cristãs e até mesmo de companheiros espíritas que são defrontados pelos mesmos problemas ao conversar com conhecidos que não conhecem a Doutrina.

 

Por este motivo, e como uma forma de aprendermos um pouco mais sobre estes temas, nos aventuramos a responder as questões - principalmenteAlexandre, o Renato e o Ademir - com a colaboração do Paulo Neto. Esperamos que os esclarecimentos sejam úteis a todos e permitam ao Alan dirimir suas duvidas.

 

Muita Paz,

Os Editores

 

 

1) Como saber se um espírito, ou mesmo uma legião de espíritos, são manifestações autênticas? Não poderiam ser demônios (ou qualquer outra entidade) se fazendo passar por seres bons e iluminados? Kardec se utiliza do critério da unanimidade [O evangelho segundo o espiritismo; Introdução; p.35], ou seja, se vários espíritos dizem a mesma coisa através de diferentes médiuns, em diferentes partes do globo, dá-se um atestado de autenticidade às revelações. Mas, afinal, se o mal pode ser também muito inteligente e procura arquitetar planos para desviar o homem do caminho, como saber se mesmo essa dita unanimidade não faz parte de um plano para nos enganar?

 

Caro amigo, para saber se as manifestações de Espíritos são autênticas ou não, Kardec recomenda muito mais que a prova da unanimidade. Ele nos recomenda a tudo o que ouvirmos submetermos à razão e ao bom senso. Para nos mostrar como utilizar esses critérios, o Codificador escreveu uma obra inteira, qual seja O Livro dos Médiuns. Recomendamos, em especial, os capítulos XXIV, XXVII, XXVIII e XXXI.

 

A forma de sabermos se a unanimidade de comunicações sobre um tema faz ou não parte de um plano para nos enganar é, portanto, a análise racional e sensata de cada mensagem. Não basta somente a unanimidade. Há que haver a unanimidade de comunicações aprovadas pela razão e pelo bom senso. O Espiritismo sempre recomenda o que chamamos de " raciocinada", que nada mais é do que a atenção consciente, à luz da razão, para aquilo que cremos.

 

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A mensagem espírita autêntica repete em coro a necessidade da reforma moral dos seres humanos, que a evolução espiritual pede como condição o "amarmos os nossos inimigos com a nós mesmos", de reverenciarmos a figura do Senhor Jesus Cristo como modelo único para o verdadeiro ser humano consciente de sua tarefa no mundo e adorarmos a Deus acima de todos as coisas, além de outros conceitos de relevante valor ético. Segue daí a conclusão de que considerar  a mensagem espírita autêntica  "parte de um plano para nos enganar" é não absurdo como completamente ilógico.

 

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É preciso entender a Doutrina Espírita em seu todo consistente e não como um amontoado de ensinamentos que, tomados isoladamente, possam dar a impressão de serem facilmente contestados. A força da Doutrina Espírita está justamente nessa consistência lógica, na existência de vínculos entre conceitos aparentemente separados mas que, tomados em conjunto e sustentados empiricamente, formam uma rica doutrina que, se for bem desenvolvida, pode dar respostas consistentes e sem contradição com as descobertas da Ciência.

 

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A experiência em utilizar os critérios propostos na Codificação nóssuporte para identificar a verdadeira intenção de um Espírito. Tentaremos usar a própria mensagem que o irmão nos enviou para exemplificar como devemos proceder.

 

2) O próprio Jesus não disse: “levantar-se-ão falsos messias e falsos profetas e produzirão sinais formidáveis e prodígios, a ponto de induzir em erro, se fosse possível, até os eleitos” (Mt 24,24-25). Dentro disso, como saber se esta legião de espíritos, esta unanimidade, não sãosinais formidáveis e prodígiospara nos desviar do caminho?

 

Referindo-se aos ensinamentos de Jesus, o sábio rabino Gamaliel afirmou, em defesa dos apóstolos e que muito bem se aplica à Doutrina Espírita, que: ”Quanto ao que está acontecendo agora, dou-lhes um conselho: não se preocupem com esses homens, e os soltem. Porque, se o projeto ou atividade deles é de origem humana, será destruído; mas, se vem de Deus, vocês não conseguirão aniquilá-los. Cuidado para não se meterem contra Deus!...” (Atos 5,38-39). Não se esqueça que Jesus também disse: “Conhece-se a árvore pelos seus frutos” (Lucas 6, 43-45). Assim, se conhece o bom espírita pela sua capacidade de praticar o bem, isto é, pela caridade com que se relaciona com seus irmãos.

 

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Se Jesus disse que poderão aparecer falsos profetas que produzirão "sinais formidáveis e prodígios", ele, claramente, isto é, sem metáforas nem simbologia, nos disse que esses sinais não são critérios para saber se algo é bom ou não. Ora, outra coisa não nos ensina o Espiritismo! Quando aquilo que é ensinado pelos Espíritos (independentemente de unanimidade, de sinais ou de prodígios) proporcionar conseqüências boas para as pessoas, então é bom. Mas se tivermos dúvidas quanto às conseqüências futuras de uma comunicação, o Espiritismo recomenda que deixemos a mesma “de molho", aguardando que o assunto possa ser melhor estudado, se for verdadeiro, ou que caia no esquecimento, se for falso.

 

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Com todo respeito, gostaríamos de acrescentar uma reflexão. As frases de Jesus, a nosso ver,  aplicam-se igualmente bem àqueles que, em seu nome, semearam e aos que hoje semeiam o mal e a separação entre as pessoas, àqueles que, em nome da religião, procuram designar-se "eleitos" ou "de posse da herança da salvação" e, também, aos que se escoram uns nos outros por falta de uma mais vigorosa, que possa enfrentar as revelações da Ciência, em franca contradição com essa .

 

Muito mal fazem aos outros e a si mesmo os encarnados que se escoram em interpretações absolutamente literais, anti-históricas dos textos evangélicos para satisfazer e conduzir as massas, extorquindo delas altas somas financeiras e flertando com o poder temporal nas altas esferas do poder constituído, como ontem faziam nas cortes imperiais. Esses são, em nossa opinião, os verdadeiros "falsos profetas", que incendeiam as massas, fazendo irmãos que crêem no mesmo Cristo e que a ele somente deveriam seguir odiarem-se mutuamente, ignorando que, para seguir Jesus, bastaria a eles viver a lei do Amor Universal que o Mestre personifica.

 

Não seria muito, portanto, muito mais lógico concluir que os falsos profetas estão na figura daqueles vivos que se auto intitulam representantes de Deus e que, diante de todo o mal que a religião de massa propagou (lembrando as abundantes evidências históricas - guerra dos 30 anos, cruzadas, conflitos irlandeses, processo de Galileu, inquisição), eles são na verdade "parte do plano para nos enganar" do que colocar a culpa nos Espíritos, com sua mensagem branda e pacífica? Quanto ainda a religião de massa terá que falhar e verter sangue a fim de que a Humanidade se convença quanto a de que lado se encontram, de fato, os falsos profetas

 

3) A doutrina espírita foi revelada (e as obras continuam a ser ditadas) pelos espíritos superiores. No entanto, se observarmos o que ocorre no movimento espírita, notamos que a razão humana sempre prevalece, sempre dá a última palavra. Kardec disse o seguinte: “Não é somente porque veio dos Espíritos que nós e tantos outros nos fizemos adeptos da pluralidade das existências. É porque essa doutrina nos pareceu a mais lógica e porque ela resolve questões até então insolúveis. Ainda quando fosse da autoria de um simples mortal, tê-la-íamos igualmente adotado e não houvéramos hesitado um segundo mais em renunciar às idéias que esposávamos [O Livro dos Espíritos; p.152; §222]. Se é assim, qual a utilidade dos espíritos superiores? Qual a importância da fonte das mensagens, se sempre ficamos com aquilo que, humanamente, achamos mais lógico? Afinal: aceitamos as revelações pela autoridade dos espíritos ou pela lógica do conteúdo?

 

Definitivamente, e assim nos ensinou Kardec, aceitamos as revelações pela lógica do conteúdo. E é pela lógica do conteúdo que sabemos que elas vieram de Espíritos superiores. Mais uma vez, remetemos o irmão ao O Livro dos Médiuns pois ali está claro o porque de sabermos que os Espíritos que ditaram a Codificação eram de elevado saber e bondade.

 

Na seqüência da mencionada fala de Kardec, lemos: “Do mesmo modo nós a teríamos repelido, embora vinda dos Espíritos, se nos parecesse contrária à razão, como repelimos tantas outras, porque sabemos por experiência que não é preciso aceitar cegamente tudo o que vem deles, como aquilo que vem da parte dos homens”. Vê-se, portanto, que nãofanatismo cego que embota a nossa visão para aceitar tudo porque vem de Espíritos, como, infelizmente, fazem muitos em relação à Bíblia.

 

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Uma utilidade primeira e fundamental das comunicações é a certeza da sobrevivência da alma após a morte do corpo físico. Jamais teríamos essa certeza somente pela razão e raciocínio. Por mais lógica que fosse a idéia da sobrevivência da alma e a conservação de sua identidade, isso seria apenas "teoria". Se a Doutrina Espírita fosse apenas mais uma doutrina teórica, como saberíamos se ela, de fato, responde às questões sobre a vida e a morte que eram consideradas insolúveis antes que ela fosse revelada à Humanidade?

 

que ser levado em conta, igualmente, que os Espíritos, estando separados da matéria e quando dispõem de autorização para tanto, estão em maiores condições, como observadores privilegiados, de nos repassar informações  ou desenvolver conceitos relacionados às questões espirituais do ser humano e de sua relação com o mundo espiritual. Mas a autoridade da Doutrina, é bom que fique claro, se liga ao todo consistente, à lógica entre seus conceitos que não se consegue enfraquecer isoladamente. Por isso é que Kardec descreve o fato de que a adoção da idéia da reencarnação não se deveu à autoridade deste ou daquele Espírito.

 

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No tocante à utilidade dos Espíritos superiores, perguntamos: qual é a utilidade de um professor na vida dos alunos ou a de um orientador na vida de um recém-formado profissional? Desde que somos todos "alunos" na "escola da vida", aprendendo lições de amor e estudo e, desde que os Espíritos nada mais são que os homens e mulheres despojados do corpo físico, a utilidade dos Espíritos superiores é orientar-nos em nossa caminhada e aprendizado da mesma forma que o professor na escola comum orienta e conduz o aprendizado dos alunos; da mesma forma que orientadores aconselham e dividem suas experiências com os mais novatos. A "especialidade" dos Espíritos superiores é o bem-comum, é a