Reencarnação em conflito somente com fundamentalista
Muito difícil será conseguir de nossos antagonistas que sobreponham, nos seus estudos, o amor da verdade ao dos princípios que defendem. (IMBASSAHY).
Se o Espiritismo é uma falsidade, ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira. (KARDEC).
Introdução
Estamos às vésperas de se comemorar um século e meio de existência do Espiritismo, que, desde o seu início, foi, e ainda continua sendo, sistematicamente atacado por fundamentalistas, que, por andarem de viseiras, não enxergam nada além que lhe ensinaram. Certamente, que a razão deste ataque é porque, lhe percebendo a verdade, eles tentam, de todas as maneiras, fazer com que o povo o veja como se fosse algo danoso à sociedade. Não era de se esperar outra coisa, pois até mesmo o nosso Mestre foi atacado pelos de sua época, já que a verdade, de que era portador, incomodava sobremaneira, a liderança religiosa, que tanto fez que acabou por pregá-lo numa cruz. Ainda bem que nos tempos atuais a inquisição não é outra coisa, senão um triste registro histórico de até aonde pode chegar a prepotência humana em querer enquadrar todos num só tipo de pensamento.
Essa célebre frase de Kardec, que colocamos na abertura de nosso texto, continua fazendo sentido ainda nos tempos atuais, pois, apesar de todo esse ataque, continuamos vivos. E, por sinal, cada vez mais vivos do que nunca, haja vista que os assuntos Espíritas estão na mídia, falada, escrita e televisada, provando o crescente interesse das pessoas pelos conhecimentos de que somos portadores. Não nos colocamos como os “donos da verdade”, porquanto deixamos isso aos fundamentalistas. O que nós apresentamos são princípios que poderão ou não ser aceitos, se não o forem hoje, certamente, o serão amanhã, quando o indivíduo que não o aceita terá progredido o suficiente de forma a aceitá-los. Isso, dentro de uma situação normal, sem qualquer tipo de imposição, até mesmo porque sabemos que cada um tem um determinado nível de conhecimento e que, portanto, não há como igualar todas as pessoas num mesmo plano.
Sempre nos aparece um ou outro, que, talvez, se julgando mais esperto do que todos os que já tentaram e não conseguiram, traz seus argumentos visando derrubar o Espiritismo, nos quais não percebemos nada de novo; mas, tudo não passa dos velhos e surrados argumentos anteriores, algumas vezes, com nova roupagem, já que tudo quanto fala foi sobejamente refutado, quando não por Kardec, por outros autores Espíritas que se indignam contra aqueles que querem nos tirar o direito de pensarmos, conforme nosso entendimento. Inclusive, esse direito individual é garantido na Constituição, lei máxima de nosso país, quando assegura plena liberdade religiosa a cada brasileiro.
Sobre a reencarnação, Kardec não deixou de rebater os críticos; dele transcrevemos:
Quanto à reencarnação, de duas coisas uma: ou ela existe, ou ela não existe: não há meio termo. Se ela existe, é que está nas leis da Natureza. Se um dogma diz outra coisa, trata-se de saber quem tem a razão, o dogma ou a Natureza, que é obra de Deus. A reencarnação não é, pois, uma opinião, um sistema, como uma opinião política ou social, que se pode adotar ou recusar; é um fato ou não o é; se é um fato, é inútil não ser do gosto de todo o mundo, tudo o que se disser não o impedirá de ser um fato. (Revista Espírita 1862, p. 266).
Essa fala deveria ter sido suficiente para deixar os contraditores no seu devido lugar; entretanto, insistentemente voltam à carga. Vejamos então o que diz esse novo crítico.
Análise do texto: Reencarnação em Conflito.
Encontra-se na Internet no link http://www.cacp.org.br/reencarnacao_em_conflito.htm, (visitado em 12/01/2007, às 09:00 horas) para acesso dos interessados.
REENCARNAÇÃO EM CONFLITO
por Paulo Cristiano da Silva
A doutrina da reencarnação é a coluna dorsal do espiritismo Kardecista. É ela o alicerce onde todos os demais postulados erigidos por Kardec se apóia. Tal é a sua importância para o espiritismo que é considerada como um dogma mesmo (Livro dos Espíritos, nº 171 e 222). Depois de sua morte em 1870, foram gravadas as seguintes palavras em seu túmulo: “nascer, morrer, renascer de novo e progredir sem cessar: esta é a lei”.
Carlos Imbassay – um dos apologistas do espiritismo – reconhece que ela é de importância capital para o espiritismo.
Se portanto, tirarmos a reencarnação de debaixo da doutrina kardecista todo o edifício desabará, só sobrarão cacos.
É bom que ressaltemos que a “coluna dorsal” do Espiritismo não é a reencarnação, mas o espírito, que se apresenta em duas situações: uma na condição de encarnado, quando está preso a um corpo físico e a outra na de desencarnado, quando se liberta dele para viver a sua plena condição de um ser espiritual, tendo na imortalidade a sua principal característica. O espírito, pelo que prova a Doutrina Espírita, pode se manifestar em qualquer um desses dois estados, sendo isso uma conseqüência de sua real característica, da qual derivam todas as outras questões, como reencarnação, pluralidade dos mundos habitados, progresso, lei de causa e efeito, etc.
Kardec resumiu dessa forma:
Com efeito, o Espiritismo tem por base essencial, e sem a qual não teria razão de ser, a existência de Deus, da alma, a sua imortalidade, as penas e as recompensas futuras; ora, esses pontos são a negação mais absoluta do materialismo, que não admite nenhum deles. A Doutrina Espírita não se limita a afirmá-los, não os admite a priori, deles é a demonstração patente; por isso, ela já conduziu um tão grande número de incrédulos que abjuraram todo sentimento religioso. (Revista Espírita 1861, p. 75).
Assim, se algum novo “Dom Quixote De La Mancha” se apresentar para derrubá-lo inicie matando o Espírito, pois, aí sim, seria a bancarrota do Espiritismo. Mas, certamente, estaria brigando com moinhos de vento, já que o espírito é imortal, qualidade que o torna a imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26), conseqüência de sua origem como realização da vontade do criador.
Não seria fora de propósito explicar o que o crítico não entendeu da questão 171 de O Livro dos Espíritos. A palavra “dogma” ali empregada, tem o sentido de “doutrina” não de algo, como se vê por aí a mancheias, do tipo “crê ou morre” (hoje, talvez, diriam: fora dessa igreja!), uma vez que no Espiritismo não se impõe absolutamente nada, pois sabemos que “onde se acha o Espírito do Senhor, aí existe liberdade” (2Cor 3,17).
É uma pena que o autor não citou de onde ele retirou o que atribui com sendo de Carlos Imbassahy, para podermos verificar o contexto, haja vista que, sempre que alguém cita algum trecho de uma obra Espírita, percebemos que nele não está o que querem dizer.
Mesmo que fosse mais inteligente que todos os outros detratores anteriores que não conseguiram nem mesmo abalar o seu alicerce, vamos seguir o seu pensamento e retirar a reencarnação, como um aspecto religioso do Espiritismo, não haverá problema algum, pois ainda sobrará, para mantê-lo em pé, com base sólida: a ciência e a filosofia, que o deixarão incólume, pois os tiros que lhes desferem são de balas de festim.
O Que é Reencarnação e Qual a sua Finalidade?
Etimologicamente, reencarnação significa “tornar a tomar corpo, ou vivificar um corpo novo”. Consiste no fato de uma alma ou um espírito, que após ter animado um corpo e ter-se libertado deste pela morte, passar a dar vida a um outro corpo inteiramente novo. É o mesmo que “palingenesia”, pluralidade de existências, vidas sucessivas, transmigração da alma. Também é um refinamento da “metempsicose”.
Allan Kardec define desta maneira: “a reencarnação é a volta da alma à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ela e que nada tem de comum com o antigo” (O Livro dos Espíritos, pág. 67)
A finalidade da reencarnação consiste em: 1º) progresso e evolução dos espíritos e 2º) expiar faltas cometidas em vidas passadas. (op. cit. pergunta 167).
Ao lado de conceitos corretos, trás o autor a idéia de que reencarnação é um “refinamento da metempsicose”; é até compreensível que, para denegri-la, ele entenda assim, pois é um direito seu, embora não seja a realidade. Cada uma das duas palavras tem conceito e características próprias: pela primeira se admite o renascimento em espécies inferiores, enquanto a reencarnação só admite a volta do espírito num corpo humano. Querer juntar uma com outra é apenas tentativa de desqualificar a segunda; uma pena!
Nosso crítico está tão perdido, que anda misturando as bolas, pois a definição de Kardec sobre a reencarnação não se encontra em O Livro dos Espíritos, mas na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, na qual, após citação das passagens evangélicas (Mt 16,13-17; 17,10-13; Mc 6,14-16; 8,27-30; 9,11-13; e Lc 9,7-9), ele teceu os seguintes comentários:
4. A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As idéias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois que João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado. (Evangelho Segundo o Espiritismo, p. 88).
Essa gafe do autor, parece-nos vinda do que o Espiritismo vem causando-lhe em termos de confusão mental. Se está assim como ainda se propõe a nos criticar? O que acabamos de testificar novamente, é que o próprio autor é quem está em conflito e induzindo os demais leitores de sua página ao erro, sem o mínimo de critério e conhecimento da obra que pretende criticar.
Quanto ao resto, o autor, parece-nos, que a contento o seu dever de casa.
As Incoerências da Reencarnação
Veremos agora que esta doutrina não é só incoerente do ponto de vista bíblico como também filosófico e científico.
Será mesmo incoerente sobre esses dois pontos de vista? Mas por qual motivo o autor também não disse o mesmo em relação à justiça divina? Se bem que tenta buscar apoio bíblico para negá-la, nessa questão ele não fala nada. É o que se verá a seguir.
* A Partir de Um Enfoque bíblico.
Os espíritas querem achar apóio em textos bíblicos para fundamentar a teoria da reencarnação. Contudo, a Bíblia rejeita de forma categórica essa doutrina. Até mesmo o assunto favorito deles “João Batista era Elias”, pois crêem que quando Jesus disse aos discípulos: “digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer às mãos deles. Então entenderam os discípulos que lhes falava a respeito de João, o Batista.” (Mateus 17:13) era realmente uma prova da reencarnação de um profeta no outro, cai por terra por diversos motivos:
1. A profecia de Malaquias diz que Elias viria cumprir um importante ministério antes do “grande e terrível dia do Senhor”.
2. João Batista iria adiante de Jesus no ESPÍRITO E PODER de Elias e não que seria Elias reencarnado. (Lucas 1:17); Isto tem a ver com o ministério de ambos e não com reencarnação. Se seguirmos esta linha de pensamento, teremos de admitir que Eliseu e não João era a reencarnação de Elias, pois diz a Bíblia que “Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte dele em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu” (2 Reis 9:15). Vejamos as semelhanças entre ambos:
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ELIAS |
JOÃO BATISTA |
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Profetizou em tempos de apostasia |
Profetizou em tempos de apostasia |
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Profetizou para aproximar o povo de Deus |
Profetizou para aproximar o povo de Deus |
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Vestia –se com roupa de pele de ovelhas |
Vestia-se com roupa de pele de ovelhas |
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Acabe (o rei) tinha medo de Elias |
Herodes tinha medo de Elias |
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Jezabel pediu a vida de Elias |
Herodias pediu a vida de João |
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Pregava sobre o arrependimento e castigo |
Pregava sobre o arrependimento e castigo |
3. João Batista negou tal fato absurdo, qual seja, de que ele era Elias (João 1:21).
4. Quando Jesus fez esta comparação, eles tinham acabado de ver Elias e Moisés no monte da transfiguração. Se Elias fosse João Batista reencarnado os espíritas entrariam em contradição com sua própria doutrina, veja:
* João nesta altura já havia sido decapitado por Herodes, portanto estava morto. Ora, o próprio Kardec afirmou que “a reencarnação é a volta da alma à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ela e que nada tem de comum com o antigo”. Como então, João Batista, apareceu no velho corpo na transfiguração? Não teria ele que aparecer (de acordo com a doutrina espírita) com o atual, da ultima reencarnação, isto é, com o corpo de João e não de Elias?
* Ainda, segundo a doutrina espírita, o tal espírito se reencarna para purgar suas faltas do passado para progredir até ser espírito puro. Diz Kardec: “Toda a falta cometida, todo o mal praticado é uma dívida contraída que deverá ser paga.” (O Céu e o Inferno, pág. 88) Certamente, Elias mesmo sendo um profeta de Deus, tendo intimidade com Ele, parece que não havia progredido muito, visto que passou novamente pelas mesmas “provas” (como João Batista) para “limpar” seu suposto “carma” do passado.
A Bíblia diz categoricamente que “Está ordenado ao homem morrer uma só vez vindo depois disto o juízo” (Hebreus 9:27). Não existem várias mortes, mas uma só.
Que nos desculpe a sinceridade, mas nós, os Espíritas, não buscamos apoio na Bíblia para sustentar a reencarnação, pelo simples fato de que ela é uma lei natural; portanto, independe de estar ou não na Bíblia, já que ela é um fato, que, mais cedo ou mais tarde, será confirmado pela ciência. Não tratamos os relatos bíblicos como se fossem verdadeiros, porquanto a ciência já provou que a narrativa da criação de Adão e Eva é uma verdadeira história da carochinha, apesar de na Bíblia se concluir de que eles formaram o primeiro casal humano. Fora os muitos outros absurdos que nela se encontram e que já foram derrubados pela ciência.
Apenas procuramos evidenciar que ela se encontra lá, embora de maneira velada, mas isso não significa que queremos provar que a reencarnação é uma realidade porque a encontramos na Bíblia, como fazem os contrários quando querem negá-la. Deixaremos de recorrer a ela, quando deixarem de a usar para provar que a reencarnação não existe, pois nós buscamos nos apoiar na ciência, os outros na fé cega; com o tempo surgirá o vencedor.
A questão de que João Batista é Elias, não somos nós quem afirma, mas o próprio Jesus, embora tentem negar. Analisemos os argumentos apresentados contra isso, listados nos itens:
1 – Mas foi Jesus que relacionou João Batista com a profecia de Malaquias (3,1), terá ele dito uma inverdade? Leiamos: “É de João que a Escritura diz: 'Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti'”. (Mt 11,10).
2 – Porque então não está “no espírito e no poder de Deus” mas no espírito e no poder de Elias? É porque ele viria no poder de Elias, ou seja, como o próprio Elias em nova encarnação. As semelhanças apontadas pelo crítico entre João Batista e Elias, antes, ao contrário, provam justamente que o primeiro era o segundo reencarnado, pois se comportava como antes, quando era Elias. Para não perdermos tempo, explicando o que já dissemos alhures, recomendamos, aos interessados, o nosso texto: João Batista é mesmo Elias?
A passagem citada do livro de Reis não tem nada a ver com a questão, se entendesse de reencarnação não a teria citado. Mas ela prova que Elias morreu mesmo, porquanto do mundo espiritual “repousou” sobre Eliseu, no linguajar popular diriam “incorporou”, de tal forma isso fica evidente, que ele produz um “milagre” semelhante ao que o velho profeta havia feito. Leiamos as passagens para comprovação:
“ Então Elias pegou o manto, o enrolou e bateu com ele na água. A água se dividiu em duas partes, de tal modo que os dois passaram o rio sem molhar os pés. (2Rs 2,8).
“Pegou o manto de Elias, que havia caído, e voltou para a margem do Jordão. Segurando o manto de Elias, bateu com ele na água, dizendo: 'Onde está Javé, o Deus de Elias?' Bateu na água, que se dividiu em duas partes. E ele atravessou o rio. Ao vê-lo, os irmãos profetas, que estavam a certa distância, comentaram: 'O espírito de Elias repousa sobre Eliseu'. Então foram ao seu encontro, se prostraram diante dele”. (2Rs 13;15)
Por conta do mesmo “milagre” foi que eles disseram que “o espírito de Elias repousa sobre Eliseu”, e neste caso nada tem a ver com reencarnação, conforme contesta o autor, mas simplesmente atesta a influência espiritual de Elias sobre Eliseu.
Por outro lado, o argumento, em que se arvora, para defesa de que Eliseu é que poderia ser a reencarnação de Elias, é desprovido de lógica, pois ambos viveram na mesma época. Mas, ao contrário no caso que nega, ou seja, de João Batista ser o profeta Elias, é possível já que ele havia vivido por volta de 800 anos passados; portanto, o retorno dele como João Batista é plenamente correto.
Quando conferimos a passagem de Lc 1,17, onde está escrito que João Batista “...irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias”, conforme a anunciação de um anjo a Zacarias, vimos que para que haja uma negação de que João Batista seja a reencarnação de Elias, a profecia de Malaquias deveria tratar do “espírito profético” e não do retorno físico do Profeta Elias. Outrossim, para que a passagem de Lucas testificasse este pensamento do “espírito profético” de Elias estivesse sobre João Batista, Jesus também teria diria que “o espírito de Elias repousa sobre João Batista”, baseando-se no fato equivalente entre Elias e Eliseu (2Rs 2,15). Portanto, quando se diz que “o espírito de Elias repousou sobre Eliseu” só pode ser entendido que Elias desencarnou e, na condição de espírito, influencia seu sucessor, ou ainda devido a mediunidade de Eliseu fazia crer que o espírito de Elias estava sobre ele em porção dobrada. Aos que acreditam no arrebatamento físico de Elias, perguntamos: como é que seu espírito andava com Eliseu e seu corpo ficou no mundo espiritual?
Mais ainda: se aceitarmos como verdade o que o autor afirma, em contraposição ao que é dito em Malaquias (em algumas traduções 4,5 e em outras 3,23) e em Mateus (11,14-15 e 17,12-13), só poderemos deduzir que Deus nos enganou porque prometeu que enviaria Elias e enviou outro profeta, e que Jesus mentiu ao afirmar que João era Elias.
3 – A passagem “somos de ontem e nada sabemos” (Jó 8,9), explica o que acontece com os espíritos em nova reencarnação: perdem a lembrança da vida anterior. Foi exatamente por isso que João Batista negou ser Elias. Mas a questão é: vamos acreditar em Jesus que afirmou que ele era Elias (Mt 11,14) ou acreditar em João? Mais: a seguirmos a linha de raciocínio desse autor poderemos dizer que Pedro não era discípulo de Jesus (Mt 26,69-75), porque ele negou isso, três vezes, por sinal; entretanto, não o faremos porquanto seria pura apelação.
4 – Por via de regra, é fato que o desencarnado apresenta-se com a forma corporal da última encarnação; entretanto, sabemos que espíritos evoluídos podem, conforme sua vontade, transformar seu corpo perispiritual na aparência que desejar. E como temos absoluta certeza que João era um espírito evoluído, fato reconhecido por Jesus (Lc 7,28), isso certamente foi o que aconteceu. A segunda objeção desse item, não tem razão de ser; se tivesse estudado mais a Doutrina saberia que os espíritos de ordem mais elevada podem reencarnar por missão. Kardec, dizendo dos espíritos superiores, afirmou: “Quando, por exceção, encarnam na Terra, é para cumprir missão de progresso e então nos oferecem o tipo da perfeição a que a Humanidade pode aspirar neste mundo.” (O Livro dos Espíritos, cap. I, item 111, p. 82) e na questão 178, lemos: “Podem os Espíritos encarnar em um mundo relativamente inferior a outro onde já viveram? - “Sim, quando em missão, com o objetivo de auxiliarem o progresso, caso em que aceitam alegres as tribulações de tal existência, por lhes proporcionar meio de se adiantarem.” (p. 107).
Quanto a Hb 9,27, a afirmativa é para o homem físico; esse sim, só morre mesmo uma vez. É por isso que não acreditamos que Jesus tenha ressuscitado alguém, porquanto haveria duas mortes. A vida do espírito é realmente única, a passagem pelo físico é que são várias; por isso, tantas vezes quanto passar pela vida física, tantas mortes terá. Esse passo seria contra a reencarnação se estivesse escrito dessa forma: “ao homem está destinado a viver uma só vez”. Aliás, não cansam de citá-la; será que não têm algo mais original que ela?
Já que o crítico está em busca de enfoque bíblico, como não acredita na reencarnação, certamente deverá acreditar na ressurreição da carne e também no inferno eterno. Então que nos apresente uma que prove que há “ressurreição da carne”, especialmente diante das afirmativas: “o espírito é que dá vida, a carne não serve para nada” (Jo 6,63) e “a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus” (1Cor 15,50). Daremos igualmente espaço para justificar a existência do inferno diante do que se diz nestas passagens:
Sl 103,8-10: O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades.
Se Deus não repreende perpetuamente como então aceitar penas eternas?
Sb 12,1-2: O teu espírito incorruptível está em todas as coisas. Por isso, castigas com brandura os que erram. Tu os admoestas, fazendo-os lembrar os pecados que cometeram, para que, afastando-se da maldade, acreditem em ti, Senhor.
Certamente que sofrer, para todo o sempre, no fogo do inferno não é um castigo feito com brandura.
Eclo 18,12-14: A misericórdia do homem é para o seu próximo, porém a misericórdia do Senhor é para todos os seres vivos. Ele repreende, corrige, ensina e dirige, como o pastor conduz o seu rebanho. Ele tem compaixão dos que aceitam a correção, e dos que se esforçam para lhe cumprir os mandamentos.
Pena eterna não é compatível com “repreensão, correção, ensinamento”, já que por ela não há possibilidade de se recuperar o delinqüente.
* A Partir de Um Enfoque Ético.
O espiritismo ensina que Deus criou todos espíritos simples, ignorantes e imperfeitos. Ora, se todos os espíritos são imperfeitos então no final das contas toda a culpa de todo o sofrimento que tais espíritos estão sujeitos é em última análise atribuída a Deus e não ao ser humano. Esta premissa do espiritismo joga a culpa do mal em Deus. Onde está a justiça deste Deus do Espiritismo?
Outra questão que o espiritismo não responde quanto ao mal é: onde começou o mal? A reencarnação explica o mal no presente mediante o mal no passado. Mas então de onde vem este mal? Onde está o mal primeiro que causou o mal segundo? A doutrina do carma tenta isentar Deus deste dilema, mas acaba se enroscando mais ainda, pois se tudo tem uma causa primária, então em ultima análise ela vai voltar para o princípio de tudo. E quem havia no princípio? Deus.
Se tivesse estudado “Carlos Imbassahy”, conforme dá a entender ao citá-lo, veria que sua colocação no primeiro parágrafo está mais do que respondida. Vejamos:
Ora, semelhantes disparates nunca foram ditados pelos espíritos:
1 – Não se ensina em Espiritismo que os Espíritos tenham sido criados imperfeitos, mas simples e ignorantes. Quando se diz que eles não foram criados perfeitos, é porque não são perfeitos os Espíritos ignorantes e simples. (IMBASSAHY, p. 136).
“Quando se diz que o Espírito é imperfeito e ignorante, expõe-se um fato patente; a imperfeição dos seres é notória. Não seria preciso, pois, o ensinamento espírita para que dela tomássemos conhecimento”. (IMBASSAHY, p. 137).
Pela doutrina protestante caímos com o pecado de Adão; por esse pecado ficamos totalmente indispostos e daí procedem as nossas transgressões. Nascemos com a marca do pecado, porque a criança, logo que começa a fazer atos racionais, para logo manifesta disposição pecaminosa. Caindo em estado de pecado, o ser não mais se converte por seu próprio poder. Donde se vê que queda, pecado e conversão é tudo independente de nós. Donde vem a agência do livre? Pareceria, então, que aquela agência livre de que trata o pastor é a do pai Adão. (IMBASSAHY, p. 139).
Devolvemos-lhe a pergunta: sem a reencarnação onde está a justiça divina? Teria condições de nos responder a essas questões colocadas por Kardec?:
Se não há reencarnação, não há senão, uma existência corpórea, isso é evidente; se nossa existência atual é a única, a alma de cada homem é criada no seu nascimento, a menos que se admita a anterioridade da alma, caso que se perguntaria o que era a alma antes do nascimento, e se esse estado não constituía uma existência sob uma forma qualquer. Não há meio termo: ou a alma existia, ou não existia antes do corpo; se ela existia, qual era a sua situação? Tinha ou não consciência dela mesma; se não tinha consciência, é quase como se não existisse; se tinha sua individualidade, era progressiva ou estacionaria; num e noutro caso, que grau ela alcançou no corpo? Admitindo, segundo a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo, ou, que vem a ser o mesmo, que anteriormente à sua encarnação ela não tem senão faculdades negativas, colocamos as perguntas seguintes:
1. Por que a alma mostra aptidões tão diversas e independentes das adquiridas pela educação?
2. De onde vem a aptidão extra normal de certas crianças em tenra idade, por tal ou tal ciência, ao passo que outras permanecem inferiores ou medíocres por toda a sua vida?
3. De onde vêm, nuns, as idéias inatas ou intuitivas que não existem noutros?
4. De onde vêm, em certas crianças, esses instintos precoces de vícios ou de virtudes, esses sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza que contrastam com o meio no qual nasceram?
5. Por que certos homens, abstração feita da educação, são mais avançados uns do que outros?
6. Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes uma criança hotentote amamentada, e a levardes aos nossos liceus mais renomados, jamais fareis dela um Laplace ou um Newton?
[...]
Acabamos de ver a alma em seu passado e em seu presente; se a considerarmos em seu futuro, encontraremos as mesmas dificuldades.
1. Se a nossa existência atual, só ela deve decidir nossa sorte futura, qual é, na vida futura, a posição respectiva do selvagem e do homem civilizado? Estão no mesmo nível, ou estão distantes da soma da felicidade eterna?
2. O homem que trabalhou toda a sua vida, para se melhorar, está no mesmo grau que aquele que ficou inferior, não por sua falta, mas porque não teve nem o tempo, nem a possibilidade de se melhorar?
3. O homem que fez mal, porque não pôde se esclarecer, é passível de um estado de coisas que não dependeu dele?
4. Trabalha-se para esclarecer os homens, moralizá-los, civilizá-los; mas para um que se esclarece, há milhões que morrem cada dia antes que a luz tenha vindo até eles; qual é a sorte destes? São tratados como condenados? Em caso contrário, que fizeram para merecer estarem na mesma classe que os outros?
5. Qual é a sorte das crianças que morrem em tenra idade, antes de terem podido fazer nem bem nem mal? Se estão entre os eleitos, por que esse favor sem nada terem feito para merecê-lo? Por qual privilégio estão isentas das tribulações da vida? (Revista Espírita 1858, pp. 295-302).
Supondo-se, conforme Kardec sugeriu, que não haja mesmo a reencarnação, então que respondam, com lógica, tudo quanto ele questionou logo acima.
Sobre o mal, como entrou no mundo? Uma coisa nós temos certeza que não foi pelo pecado de Adão e Eva. Também é notório que a serpente não tem culpa alguma nisso. Na verdade, o mal não existe, o que tem mesmo existência é o bem, o mal é, nada mais nada menos, que a ausência do bem. O homem, desde os primórdios, vem aprendendo durante as suas várias encarnações, que, quando ele não pratica o bem, está agindo mal. Em hipótese alguma ele pode ser mal por princípio, pois, se o for, a causa disso teria que ser, evidentemente, atribuída a Deus.
Há pessoas que poderíamos dizer que são “más de nascença”. Se não há uma vida anterior, forçosamente ter-se-á que admitir que foi Deus quem as criou assim. Qual é a ética contida nisso? E ainda quer atribuir lógica a seus argumentos!...
* A Partir de Um Enfoque Lógico
Se a reencarnação é uma lei de progresso como afirmam os espíritas, onde está então uma prova empírica dela? O que vemos na verdade é o contrário do que alega a doutrina espírita. O mundo deveria esta evoluindo tanto moralmente como espiritualmente, mas o que vemos é uma regressão de ambos. Ora, após milênios de evolução humana, será que o mundo não deveria apresentar-se bem mais humano, bem mais desenvolvido humanitariamente? Isto não deveria ser visível? Onde estão os espíritos adiantados provenientes de tantas reencarnações e purificações?
A sociologia nega a existência prática desta tese.
Acrescenta-se a isto ainda o crescimento demográfico. Se no princípio diz a Bíblia que havia apenas duas pessoas, Adão e Eva, de onde surgiram tantas pessoas como vemos hoje em dia? Se a reencarnação é tornar a tomar novamente um outro corpo onde havia tantos corpos no principio do mundo? Demais disso, se há 50 anos atrás tínhamos aproximadamente 5 bilhões de almas para se reencarnar depois da morte, então deveríamos ter novamente 5 bilhões de corpos para essas pessoas se reencarnarem! Mas temos hoje 6 bilhões!
Se está admitindo que a humanidade não progrediu, podemos dizer que, certamente, a culpa é das instituições religiosas seculares, através de suas lideranças, que não conseguiram moralizar o homem, uma vez que elas nunca se preocuparam em implantar o Evangelho do Cristo, mas suas próprias idiossincrasias, visando manter seu ganha-pão, já que a maioria dos líderes vive da sua religião.
Entretanto, é fato que a humanidade progrediu, apenas que o que se vê é muito barulho para divulgar o mal, enquanto que o bem fica escondido. Por exemplo: duelo, guerras por conquista de território, inquisição, cruzadas, escravidão, mulher como objeto de “cama e mesa”, são coisas do passado, defesa do direito dos idosos, das crianças, do cidadão, defesa do meio ambiente, dos animais, do direito à vida, garantia ao indivíduo o seu direito de seguir a religião que achar melhor para si, embora isso não seja do agrado de muitos líderes religiosos, são valores novos em que nem se pensava no passado. Isso é a prova que estamos evoluindo, mesmo que seja a “passos de tartaruga”, mas estamos. Se a sociologia negar isso, deixará de ser uma ciência, passando a ter comportamento semelhante ao dos fundamentalistas; não enxergando o óbvio.
Outro fator que não se leva em conta é que “na casa de meu pai há muitas moradas” (Jo 14,2). Existe migração de espíritos de um planeta a outro, fora a questão de que a humanidade desencarnada, segundo informações dos espíritos, é cerca de três vezes maior que a encarnada; é nesse contingente que as “novas almas” se apresentam ao nosso planeta. A visão estreita de que só há vida no planeta terra é incompatível com os atuais conhecimentos científicos, que vê plena possibilidade de vida em outros planetas, já que se gastam fortunas incalculáveis para se contatar com seres de outras dimensões planetárias.
O pensamento do crítico se assemelha ao de alguém que, no ano seguinte, retorna em visita a um colégio onde havia 1000 alunos e ao constatar que a quantidade é a mesma, pensa que os alunos são os mesmos, porquanto não se deu conta que novos alunos entraram, enquanto outros saíram para cumprir o seu destino.
A Bíblia que temos “não diz” que só havia Adão e Eva, pois ela narra que Caim saiu da região onde se encontrava indo para a terra de Nod (Gn 4,17), no caminho encontra uma mulher, com a qual se casa, e depois chega até mesmo a fundar uma cidade, disso presumimos que havia gente para morar nela. Só é relatado um outro filho de Adão (Gn 5,3), quando ele contava com 130 anos, depois é que se diz que ele gerou filhos e filhas (Gn 5,7). Obviamente que um fundamentalista não perceberá isso.
A reencarnação ainda enfrenta sérios problemas, quais sejam:
1. Seria Deus justo em destinar seres humanos a castigos por faltas de que nem tem consciência? Como irei me arrepender de erros que desconheço? Seria Deus justo castigando pessoas que foram criadas imperfeitas?
2. Outro fato significativo é que a reencarnação e a lei do carma choca-se grandemente com um outro pilar do espiritismo que é “fora da caridade não há salvação”, que nada mais é do que um tipo de auto redenção. Ora, segundo diz essa doutrina, toda conseqüência que temos no presente foi contraída em outra existência passada tendo de ser paga nesta ou noutra reencarnação futura para se purificar. Veja que esses dois princípios na prática entram em contradição, pois e assim fosse eu não deveria fazer caridade a quem está sofrendo, caso contrário, estaria atrasando o progresso daquele espírito para uma próxima existência. Mas em contrapartida estarei atrasando o meu próprio, pois não praticando a caridade não terei salvação como ensinou Kardec! Isto nos leva a concluir que o causador do sofrimento não passa de um executor de ordens divinas!
3. Se o pecado ou falta cometida na vida passada envolveu alma e corpo, não é justo que o corpo atual pague pelo corpo da última reencarnação. O ser humano não é dualista, mas um ser único, o homem sem seu corpo não é ser humano.
4. E se pensarmos em Jesus Cristo que segundo AK, foi o maior espírito de luz que já veio a esta terra, o que teria feito Jesus para levar uma vida daquela? Morreu como um assassino, pobre, abandonado até mesmo por seus próprios discípulos. Estaria ele pagando algum carma? Se a resposta for sim, então porque teria que pagá-lo já que era perfeito, espírito de luz? Espíritos de luz já escaparão da cadeia das reencarnações!
Analisando-os, pela ordem:
1 – Certamente que não seria justo, mas não se admite que fomos castigados pelo pecado de Adão e Eva, que é muito pior, pois esse nós não o cometemos. Daí duas alternativas: sofrer as conseqüências pelo que fizemos, mesmo sem lembrar, ou pelo que não fizemos e que nunca lembraremos (óbvio!). Na primeira situação, é bom que se diga, o esquecimento é temporário, somente enquanto o espírito estiver ligado ao corpo físico; de volta à sua pátria, no mundo espiritual, lembrará de tudo, e poderá avaliar sua encarnação perante os compromissos assumidos diante da lei de Deus. Nada é perdido. Nosso arquivo mental se assemelha a um computador. A memória RAM, a qual trabalhamos no momento, seria correspondente à nossa vida atual, a memória ROM, a mais profunda aquela que ninguém vê, tem relação com a nossa memória do que nos aconteceu em vidas passadas. Tudo muito simples e prático!
Na vida prática as pessoas nascem em situações bem diferentes; por exemplo: uma pessoa que nasce cega ou aleijada, por qual justiça iríamos justificar isso, já que “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10,34; 15,9; Rm 2,11; Gl 2,6; Ef 6,9; Cl 3,25 e 1Pe 1,17)? A única explicação que ouvimos sobre estas desigualdades que acontecem ao ser humano, é que são “mistérios divinos”. Mas isso não explica nada e não serve para pessoas dadas ao questionamento. Usar o “porque Deus quis”, da mesma forma, é algo sem sentido, pois a reencarnação também acontece porque Deus quer. Poder-se-ia mostrar a justiça funcionando, quando alguém nasce com deficiência mental? Qual seria, para uma pessoa assim, a validade da vida terrena? Teria alguma oportunidade de viver plenamente sua vida de encarnado? Aprenderia alguma coisa nela? E, quando morrer, irá para onde? Para o céu, sem ter feito por merecê-lo? Para o inferno, mesmo não tendo cometido atos contrários à lei divina? Saia do impasse, sem usar a reencarnação, que ganhará um doce.
2 – A lei de ação e reação, realmente nos coloca diante da possibilidade de quitarmos os nossos compromissos assumidos perante as leis divinas. Mas como “a caridade (ou o amor) cobre uma multidão de pecados” (1Pe 4,8), essa é a maneira pela qual Deus dá ao infrator a chance de quitar “até o último ceitil” (Mt 5,26), somente não fazendo isso é que estará sob o rigor do “todos os que usam da espada, pela espada morrerão” (Mt 26,52). Outro fator, muitas vezes não levado em conta pelos nossos contraditores, é que ninguém sabe se a libertação de alguém não está justamente em nossas mãos, como uma missão que Deus oferece a nós. Não poderemos esquecer que é somente na caridade é que cumpriremos o “amar ao próximo como a si mesmo” (Mt 22,39).
Se tivesse realmente estudado, como seria de se esperar de quem se propõe a criticar alguma coisa, veria que, no livro O Céu e Inferno, de onde retirou que “toda dívida deve ser paga”, se encontra, um pouco mais adiante, essa explicação:
16º - O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação.
Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.
17º - O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo.
Até que os últimos vestígios da falta desapareçam, a expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que lhe são conseqüentes, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corporal.
A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal.
Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contacto com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito. Nem todas as faltas acarretam prejuízo direto e efetivo; em tais casos a reparação se opera, fazendo-se o que se deveria fazer e foi descurado; cumprindo os deveres desprezados, as missões não preenchidas; praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se se tem sido orgulhoso, amável se se foi austero, caridoso se se tem sido egoísta, benigno se se tem sido perverso, laborioso se se tem sido ocioso, útil se se tem sido inútil, frugal se se tem sido intemperante, trocando em suma por bons os maus exemplos perpetrados. E desse modo progride o Espírito, aproveitando-se do próprio passado. (1)
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(1) A necessidade da reparação é um princípio de rigorosa justiça. que se pode considerar verdadeira lei de reabilitação moral dos Espíritos. Entretanto, essa doutrina religião alguma ainda a proclamou. Algumas pessoas repelem-na porque acham mais cômodo o poder quitarem-se das más ações por um simples arrependimento, que não custa mais que palavras, por meio de algumas fórmulas; contudo, crendo-se, assim, quites, verão mais tarde se isso lhes bastava. Nós poderíamos perguntar se esse princípio não é consagrado pela lei humana, e se a justiça divina pode ser inferior à dos homens? E mais, se essas leis se dariam por desafrontadas desde que o indivíduo que as transgredisse, por abuso de confiança, se limitasse a dizer que as respeita infinitamente.
Por que hão de vacilar tais pessoas perante uma obrigação que todo homem honesto se impõe como dever, segundo o grau de suas forças?
Quando esta perspectiva de reparação for inculcada na crença das massas, será um outro freio aos seus desmandos, e bem mais poderoso que o inferno e respectivas penas eternas, visto como interessa a vida em sua plena atualidade, podendo o homem compreender a procedência das circunstâncias que a tornam penosa, ou a sua verdadeira situação. (O Céu e o Inferno, cap. VII, pp. 81-82).
3 – Essa idéia de que o ser humano não é um ser dualista, parece-nos mais um conceito do judaísmo, ao qual Jesus não assinou embaixo. Aliás, ele ao dizer que “meu reino não é desse mundo”, certamente estava nos dizendo de uma outra vida no plano espiritual. O que devemos entender dessa afirmativa de Jesus de que “o espírito é que dá vida, a carne não serve para nada” (Jo 6,63), a não ser que somos seres dualistas? Tiago confirmando isso disse que “o corpo sem o espírito está morto” (Tg 2,26), deixando claro que é o corpo que morre, e quanto ao espírito usaremos Jesus, que, na cruz, bradou: “'Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito'. Dizendo isso, expirou”. (Lc 23,46).
Interessante é que a capacidade de interpretação de certos indivíduos fica totalmente comprometida com os seus dogmas, pois a própria passagem (Lc 16,19-31), que nos oferecerá para meditação ao final, prova exatamente que somos dualistas. O rico, que conversa com Abraão depois de morto, teve seu corpo sepultado; portanto, estava junto a ele na sua condição de espírito; da mesma forma aconteceu com Lázaro, cujo espírito foi levado para o seio de Abraão pelos anjos.
4 – Dá é pena daqueles que se metem a denegrir o Espiritismo sem ao menos saber do que estão falando; mas isso é também um fato lamentável. Conforme já dito anteriormente, os espíritos puros podem vir em missão, já que eles não têm absolutamente nada a pagar, que a fazem por amor a Deus, de tal forma que as intempéries da vida de encarnado para eles é nada. Não fazem nada mais nada menos que uma mãe, que, por amor, daria a própria vida por um filho.
Assim, Jesus veio por missão; a palavra “Messias” lembra alguma coisa? Sofreu muito, é fato; mas muito mais se isso fosse necessário para o cumprimento da missão recebida de Deus. Espíritos puros, vêem as coisas de um plano muito mais elevado que o nosso, por isso não dão a mínima aos sofrimentos passageiros, se jungidos à carne. Semelhante ao que uma mulher passa diante da dor do parto, que não é nada, quando tem o seu rebento junto ao peito; essa felicidade lhe é superior a tudo aquilo que passou para consegui-la.
Qual é o Consolo da Reencarnação?
A teoria da reencarnação não deixa espaço para o perdão e a misericórdia de Deus, é inflexível, além de fazer de Deus um ser contemplativo e inerte. Tudo se baseia imparcialmente na lei do carma, a lei mecânica da causa e efeito, pois tudo aquilo que a pessoa praticar de ruim nesta vida terá forçosamente adquirindo uma dívida para a próxima vida.
A reencarnação não funciona. A única coisa que ela oferece é um alívio filosófico de poder ter mais uma chance de se arrumar no futuro. Sugere ainda que o sofrimento é algo merecido, pois quem esta sofrendo é porque mereceu sofrer. E se você quiser escapar destas reencarnações terá que passar por muitas, muitas vidas ainda... Em outras palavras, a reencarnação só faz adiar o problema, jogando-o sempre para o futuro. Ao contrario da lei mecanicista da reencarnação, Jesus oferece a solução para o problema do pecado aqui e agora. O perdão de Deus é para esta vida e não para o futuro após a morte. A purificação que tantas espíritas almeja é dado nesta vida pelo sangue de Jesus.
Enganam-se, os que, como autor, vêem a reencarnação dessa forma, pois é exatamente o perdão e a misericórdia de Deus que só podem ser realizados por ela. Ao colocar alguém no inferno seria? Inerte para os que querem a salvação de “graça”, ou seja, sem ter que fazer nada, deixando tudo a cargo de Deus. A lei de causa e efeito tem “atenuantes e agravantes”; tudo é levado em consideração, de tal forma que é dado ao ser ampla oportunidade de se redimir perante as leis divinas. É certo que adquire uma dívida; mas não foi Jesus quem disse “a cada um segundo suas obras” (Mt 16,27)? Teremos duas opções: pagar pelo amor ou sofrer na própria pele o mal praticado de forma a sentir a extensão do mal realizado para não mais o praticá-lo em outras oportunidades.
Se a reencarnação não funciona, que dirá do inferno, então? Recordando: “Mestre, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim?” (Mt 18,21), ao que Jesus respondeu “setenta vezes sete” (Mt 18,22), ou seja, infinitamente. Haveria perdão, por parte de Deus, se nos enviar para o inferno, onde “assaremos” por toda a eternidade? Essa é que é a questão. Paulo, num momento de elevada inspiração, disse: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor”. (Rm 8,38-39), ou seja, o amor de Deus, para conosco, é tudo.
Acreditamos que é preferível passar por muitas reencarnações, que elas cheguem até aos milhares, do que ser lançado ao inferno - onde ficaremos, pela eternidade afora -, especialmente tendo a certeza, como temos, de que um dia estaremos definitivamente junto a Deus. A teoria do inferno, aliás, que é de origem pagã, no caso dos persas, oferece-nos algo melhor?
Não sabemos de onde foi tirado que Jesus oferece a solução aqui e agora, já que ele mesmo nos disse “sede perfeitos como perfeito é o vosso pai Celestial” (Mt 5,48) e sabemos quão longe estamos dessa perfeição preconizada por Jesus. Ele, é necessário repetirmos, sem meias palavras, disse: “a cada um segundo suas obras” (Mt 16,27), bem diferente do citado perdão. De outra feita ele disse “prefiro misericórdia a sacrifícios” (Mt 12,7); como então Deus ficaria satisfeito com seu sacrifício na cruz? Certo está o autor de Hebreus, quando disse: “...depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não há sacrifícios que possam tirar nossos pecados”. (Hb 10,26).
Esse ritual de oferecer sacrifício pelo pecado é de origem pagã, que os judeus faziam em suas práticas religiosas. Numa visão distorcida achavam que Deus ficaria feliz com sacrifícios de animais, daí pensaram que ficaria mais ainda se fosse oferecido um ser humano; por isso Lhe apresentaram o Cristo como o cordeiro que tira os pecados do mundo. Se Jesus morreu na cruz para nos salvar, ótimo, pois estamos salvos; portanto “comamos e bebamos” (1Cor 15,32).
Além do mais, não devemos nos esquecer de que a morte de Jesus, segundo o autor de Hebreus, foi para remissão dos pecados cometidos durante o primeiro pacto (antigo testamento) para que os chamados “recebam a promessa da herança eterna”, nos termos da versão da Bíblia fornecida online pelo CACP, que diz, textualmente: “E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna”. (Hb 9,15). Como podemos ver, o que foi legada aos chamados foi a promessa da herança e não a herança em si. Logo, os chamados têm que se manter na condição de escolhido (prática de boas obras) para que a promessa possa ser cumprida.” E se esse autor bíblico estiver certo, então deveremos providenciar um outro Cristo para morrer pelos nossos pecados, não há como escapar disso.
Por outro lado qual valor moral teria a parábola da separação dos bodes e das ovelhas, que diz:
"Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar'. Então os justos lhe perguntarão: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?' Então o Rei lhes responderá: 'Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram.' Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Afastem-se de mim, malditos. Vão para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque eu estava com fome, e vocês não me deram de comer; eu estava com sede, e não me deram de beber; eu era estrangeiro, e vocês não me receberam em casa; eu estava sem roupa, e não me vestiram; eu estava doente e na prisão, e vocês não me foram visitar'. Também estes responderão: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou sem roupa, doente ou preso, e não te servimos?' Então o Rei responderá a esses: 'Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram'. Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna." (Mt 25,31-46).
O sangue de Jesus não entra no critério de separação, o qual se dará pelas obras produzidas por cada um, que não necessitaremos de nenhum comentário a mais.
Uma coisa que ainda não encontramos é alguém para nos explicar: se Jesus é Deus, qual é o sentido Dele ter vindo encarnar aqui na Terra, num corpo humano, para depois morrer na cruz em sacrifício a ele mesmo, visando a nossa salvação?
PARA MEDITAÇÃO DOS ESPÍRITAS
“Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras;o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite (não reencarne) alguém dentre os mortos.” (Evangelho de Lucas, 16:21-31).
Até agradecemos a valiosa sugestão, porquanto nós a meditamos mesmo, veja a que conclusão viemos a chegar sobre essa parábola:
1 – que todos morrem, não há exceção, seja rico seja pobre, seja profeta ou não; assim, Elias e Henoc não foram arrebatados, morreram conforme aconteceu com Jesus e acontecerá com todos nós;
2 – que nossos atos praticados nesta vida serão medidos após a nossa morte;
3 – que a “morte ou o sangue” de Jesus não foi o que colocou Lázaro no seio de Abraão;
4 – que, enquanto o corpo físico baixa à sepultura, o espírito volta a Deus, para cumprir o seu destino;
5 – que há um abismo entre os bons e os maus, de tal forma que os últimos não terão acesso ao local onde se encontram os primeiros, a não ser que façam o que eles fizeram para merecerem estar lá;
6 – que não há juízo no final dos tempos, porquanto os dois tiveram seus destinos selados logo após a morte física;
7 – que os mortos não ficam inconscientes, pois conversam entre si e sabem do que acontecem no plano físico;
8 – que, naquele tempo, havia a crença na possibilidade dos mortos se comunicarem com os vivos, razão do pedido do rico a Abraão;
9 – que a comunicação entre os encarnados e desencarnados, ou seja, vivos e mortos, foi confirmada por Abraão que não disse que não poderia ocorrer, mas que não teria utilidade alguma, já que os irmãos do rico, que não terem dado ouvidos a Moisés e aos profetas, muito menos dariam aos mortos;
10 – que a palavra ressuscite, no contexto, significa “voltar à condição espiritual”, ou seja, ressurgir dos mortos, deixando o corpo morto para voltar à sua condição de espírito.
Conclusão
Pena é que os contraditores da reencarnação não lêem nada a não ser a Bíblia, pois se pesquisassem sobre o assunto veriam que pesquisadores científicos já catalogaram inúmeros casos de reencarnação, que, certamente, poder-se-ia considerá-la como provada cientificamente, só não o acontecendo porquanto a crença religiosa se imiscui nesse meio, via inconsciente de alguns dos cientistas.
Mas outros, inclusive de renome, como é o caso de Amit Goswami, conferencista, pesquisador e professor titular da Universidade de Oregon, Ph.D em física quântica e físico residente no Institute of Noetic Sciences, teve a coragem de dizer abertamente em resposta à pergunta: “Em sua abalizada opinião, a reencarnação é científica?” o seguinte:
A resposta é um retumbante sim. Pense. Os dados sobre reencarnação dão-nos evidência definitiva de que a mente não é o cérebro, pois ela sobrevive à morte do corpo físico. Além disso, o propósito da ciência é levar as realizações, experiências e sabedoria das pessoas ao cenário público, por meio de teorias e experimentos em desenvolvimento, dos quais todos podem participar e todos julgam úteis. Creio que o modelo que estudamos aqui cumpre esse propósito. (GOSWAMI, 2005, pp. 243-244). (grifo nosso).
Goswami é o autor do livro A Física da Alma: a explicação científica para a reencarnação, a imortalidade e experiências de quase morte, cuja leitura recomendamos a todos que advogam teses contrárias às conclusões dele, para que façam, por amor à verdade e um bem à humanidade, contestando-as e evidenciando-lhe os erros.
Voltamos a citar esse autor, já que falamos dele alhures, porquanto ele está como se diz “na crista da onda” cuja opinião é certamente respeitada no meio científico. No mais, recomendamos, também aos que não aceitam a reencarnação, que, para não ficarem completamente desatualizados, pesquisem sobre o assunto.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Jan/2007.
Referências Bibliográficas
IMBASSAHY, C. À margem do Espiritismo, Rio de Janeiro: FEB, 2002.
KARDEC, A. O Céu e o Inferno, Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro; FEB, 1990.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos, Araras, SP:IDE, 1987.
KARDEC, A. Revista Espírita 1858, Araras, SP: IDE, 2001.
KARDEC, A. Revista Espírita 1861, Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. Revista Espírita 1862, Araras, SP: IDE, 1993.
GOSWAMI, A. A Física da Alma, São Paulo: Eleph, 2005.
Bíblia Sagrada, São Paulo: SBB, 2000.
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