Refutações
de Kardec – Revista Espírita 1861
Bibliografia Católica contra o Espiritismo
Sr. Squire
O homenzinho ainda vive
Ainda uma palavra sobre o Sr. Deschane
Senhor Louis Jordan e O Livro dos Espíritos
Apreciação da História do Maravilhoso
O Mar, pelo Sr. Michelet
O resto da Idade Média
Opinião de um jornalista sobre O Livro dos Espíritos
Bibliografia Católica contra o Espiritismo
fevereiro de 1861
Até o
presente o
Espiritismo
não
tinha sido
atacado
seriamente;
quando
certos
escritores
da
imprensa
periódica,
em
seus
momentos
de
lazer,
se dignaram dele se
ocupar,
não
foi
senão
para
torná-lo
em
ridículo.
Trata-se de
encher
um
folhetim,
de
fornecer
um
artigo
a
tanto
por
linha,
não
importa
sobre
o
quê,
contanto
que
lhe
tenha a
conta.
Que
assunto
tratar?
Eu
falarei, se diz o
escritor
encarregado
da
parte
recreativa
do
jornal,
de
tal
coisa?
Não,
é
muito
séria;
de
tal
outra?
Está
gasta.
Inventarei alguma
aventura
autêntica
do
grande
ou
de
pequeno
mundo?
Nada
me
vem ao
espírito
no
quarto
de
hora,
e a
crônica
escandalosa
da
semana
está
muda.
Mas
penso
nisso!
Eis
o
meu
assunto
encontrado! Vi
em
alguma
parte
o
título
de
um
livro
que
fala
dos
Espíritos,
e há
pelo
mundo
pessoas
bastante
tolas
para
tomarem
isso
a
sério.
O
que
são
os
Espíritos?
Deles
nada
sei e
com
isso
pouco
me
importo;
mas
o
que
importa?
Isto
deve
ser
agradável.
Primeiro,
eu
neles
não
creio de
todo,
porque
jamais
os vi, e vendo-os neles
não
creria
mais,
porque
é
impossível;
portanto,
nenhum
homem
de
bom
senso
pode neles
crer;
está
aí
a
lógica,
ou
não
me
conheço. Falemos,
pois,
dos
Espíritos,
uma
vez
que
estão na
ordem
do
dia;
tanto
este
assunto
do
que
um
outro,
isso
divertirá os
caros
leitores.
O
tema
é
muito
simples:
Não
há
Espíritos,
não
pode,
não
deve havê-los;
portanto,
todos
aqueles
que
neles crêem
são
loucos.
Agora
à
obra,
e bordemos
em
cima.
Oh!
meu
bom
gênio,
eu
te
agradeço
por
esta
inspiração!
tu
me
tiras
de
um
grande
embaraço,
porque
não
há
nada
a
dizer,
e
preciso
de
meu
artigo
para
amanhã,
e dele
não
tinha
a
primeira
palavra.
Mas
eis
um
homem
sério
que
se diz: Está errado se
divertir
com
estas
coisas;
isto
é
mais
sério
do
que
se
pensa;
não
creio
que
ela
aqui
esteja de
modo
passageiro:
essa
crença
é
inerente
à
fraqueza
humana
que,
de
todos
os
tempos,
acreditou no
maravilhoso,
no
sobrenatural,
no
fantástico.
Quem
suspeitaria
que
em
pleno
XIX
século,
num
século
de
luzes
e de
progresso,
depois
de Voltaire
que
tão
bem
demonstrou
que
só
o
nada
nos
espera,
depois
de
tantos
sábios
que
procuraram a
alma
e
não
a encontraram, se possa
ainda
crer
nos
Espíritos,
nas
mesas
girantes,
nos
feiticeiros,
nos
mágicos,
no
poder
de Merlin o
encantador,
na varinha adivinhatória, na Srta. Lenormand? -
Humanidade!
Humanidade!
Para
onde
vais se
não'
venho
em
tua
ajuda
para
tirar-te do
lamaçal
da
superstição?
Quiseram
matar
os
Espíritos
pelo
ridículo,
e
não
conseguiram;
longe
disso, o
mal
contagioso
faz
progressos
incessantes;
a
zombaria
parece dar-lhe uma recrudescência, e, se
não
se
lhe
meter
ordem,
a
Humanidade
inteira
logo
dele estará infestada. Uma
vez
que
esse
meio,
tão
eficaz
comumente, foi impotente, é
tempo
que
os
sábios
a
ele
se misturem, a
fim
de
lhe
pôr
fim
de uma
vez
por
todas; os
gracejos
não
são
razões;
falemos
em
nome
da
ciência;
demonstremos
que
em
todos
os
tempos
os
homens
foram imbecis crendo
que
havia uma
força
superior
a
eles;
que
não
tinham,
eles
mesmos,
todo
o
poder
sobre
a
Natureza;
provemos-lhes
que
tudo
o
que
eles
atribuem às
forças
sobrenaturais
se explica pelas
simples
leis
da
fisiologia;
que
a
alma,
sobrevivendo ao
corpo
e podendo se
comunicar
com
os
vivos,
é uma
quimera,
e
que
é
loucura
contar
com
o
futuro.
Se
depois
de terem digerido
quatro
volumes
de boas
razões,
não
estiverem
convencidos,
não
nos
restará
senão
sofrer
sobre
a
sorte
da
Humanidade
que,
em
lugar
de
progredir,
retrograda, a
grandes
passos,
para
a
barbárie
da
Idade
Média,
e
perto
de
sua
ruína.
Que
o Sr. Figuier se cubra a
face,
porque
seu
livro,
tão
pomposamente
anunciado,
tão
elogiado
pelos
campeões
do
materialismo,
produziu
um
resultado
todo
contrário
ao
que
dele esperavam.
Mas
eis
que
chega
um
novo
campeão
que
pretende
esmagar
o
Espiritismo
por
um
outro
meio:
é o Sr. Georges Gandy,
redator
da
Bibliografia
católica,
que
o
toma
corpo
a
corpo
em
nome
da
religião
ameaçada. O
quê!
Á
religião
ameaçada
pelo
que
chamais uma
utopia!
Tendes,
pois,
bem
pouca
fé
em
sua
força;
portanto,
a credes,
bem
vulnerável,
para
temer
que
as
idéias
de
alguns
sonhadores
não
venha
sacudir
as
suas
bases;
achais,
pois,
esse
inimigo
bem
temível
para
atacá-lo
com
tanta
raiva
e
furor;
conseguireis
mais
do
que
os
outros?
Disso
não
duvidamos,
porque
a
cólera
é má
conselheira.
Se chegardes a
assustar
algumas
almas
tímidas,
não
receais
excitar
a
curiosidade
em
maior
número?
Julgai-o
pelo
fato
seguinte.
Numa
cidade
que
conta
um
certo
número
de
Espíritas
e
alguns
círculos
íntimos
onde
se ocupa de
manifestações,
um
pregador
fez
um
dia
um
sermão
virulento
contra
o
que
chamava a
obra
do
diabo,
pretendendo
que
só
ele
vinha
falar
nas
reuniões
satânicas, da
qual
todos
os
membros
estavam notoriamente votados à
danação
eterna.
Que
ocorreu?
Desde
o
dia
seguinte,
bom
número
de
ouvintes
procuraram as
reuniões
espíritas,
e pediram
para
ouvirem os
diabos
falarem,
curiosos
para
ver
o
que
eles
lhes
diriam;
porque
dele se tem
tanto
falado
que
se está familiarizado
com
esse
nome,
que
não
mete
mais
medo;
ora,
eles
viram nessas
reuniões
pessoas
sérias, instruídas, orando a
Deus,
o
que
não
fizeram
desde
a
sua
primeira
comunhão,
crendo
em
sua
alma,
em
sua
imortalidade,
nas
penas
e nas
recompensas
futuras, trabalhando
para
se tornarem
melhores,
se esforçando
por
praticarem a
moral
do
Cristo,
não
falando
mal
de
ninguém,
nem
mesmo
daqueles
que
os anatematizam;
eles
dizem a
si
mesmos,
então,
que
se o
diabo
ensina
semelhantes
coisas,
é
preciso
que
tenha se convertido;
quando
os viram
conversar
respeitosamente
e
piedosamente
com
seus
pais
e
seus
amigos
defuntos,
que
lhes
davam consolações e
sábios
conselhos,
não
puderam
crer
que
essas
reuniões
fossem
sucursais
do
sabá,
porque
ali
não
viram
nem
caldeiras,
nem
vassouras,
nem
corujas,
nem
gatos
pretos,
nem
crocodilos,
nem
livros
de
mágica,
nem
tripé,
nem
varinha
mágica,
nem
nenhum
dos
acessórios
da
feitiçaria,
nem
mesmo
a
velha
mulher
de
nariz
e
queixo
recurvados; quiseram,
eles
também,
conversar
um
com
a
sua
mãe,
o
outro
com
um
filho
querido,
e
lhes
parecia
difícil,
em
os reconhecendo,
admitir
que
essa
mãe
e
esse
filho
fossem
demônios.
Felizes
por
terem a
prova
de
sua
existência,
e a
certeza
de uma
reunião
num
mundo
melhor,
se perguntaram
com
qual
objetivo
lhe
quiseram
meter
medo,
e
isso
levou-os a
reflexões
com
as
quais
não
tinham
ainda
sonhado; disso resultou
que
eles
gostaram
mais
de
ir
lá
onde
encontraram consolações, do
que
lá
onde
os apavoravam.
Esse
pregador,
como
se
vê,
tomou
caminho
falso,
e é o
caso
de
dizer:
Melhor
vale
um
inimigo
do
que
um
amigo
inábil.
O Sr. Georges Gandy
espera
ser
mais
feliz?
Nós
o citamos
textualmente
para
a
edificação
de
nossos
leitores:
"Em
todas as
épocas
das
grandes
provas
da
Igreja
e de
seus
próximos
triunfes, houve
contra
ela
conspirações
infernais,
onde
a
ação
dos
demônios
era
visível
e
tangível.
Jamais
a teurgia e a
magia
estiveram
mais
em
voga
no
seio
do
paganismo
e da
filosofia,
do
que
no
momento
em
que
o
cristianismo
se espalhou no
mundo
para
subjugá-lo. No décimo-sexto
século,
Lutero teve
colóquios
com
Satã,
e
um
redobramento
de
feitiçarias,
de
comunicações
diabólicas se fez
notar
na Europa,
então
que
se operava,
pela
Igreja,
a
grande
reforma
católica,
que
iria
triplicar
as
suas
forças,
e
que
um
novo
mundo
lhe
abria,
sobre
um
espaço
imenso,
desígnios
gloriosos.
No décimo-oitavo
século,
na
véspera
do
dia
em
que
o
machado
dos
carrascos
deveria
retemperar
a
Igreja
no
sangue
de
novos
mártires,
a demoniolatria florescia no
cemitério
de Saint-Medard, ao
redor
dos
banquetes
de Mesmer e dos
espelhos
de Cagliostro.
Hoje,
na
grande
luta
do
catolicismo
contra
todos
os
poderes
do
inferno,
a
conspiração
de
Satã
veio
visivelmente
em
ajuda
do filosofismo; o
inferno
quis
dar,
em
nome
do
naturalismo,
uma
consagração
à
obra
de
violência
e de
astúcia
que
continua há
quatro
séculos,
e
que
se
prepara
para
coroar
de uma
suprema
impostura.
Aí
está
todo
o
segredo
dessa
suposta
doutrina
Espírita,
acervo
de
absurdos,
de
contradições,
de
hipocrisia
e de
blasfêmias,
-
como
iremos
ver,
- a
qual
ensaia,
como
a
última
das perfídias,
glorificar
o
cristianismo
para
aviltá-lo, de difundi-lo
para
suprimi-lo, afetando o
respeito
para
o
divino
Salvador,
a
fim
de
arrancar
de
sobre
a
terra,
tudo
o
que
fecundou
com
o
seu
sangue,
e de
substituir,
ao
seu
reino
imortal,
o
despotismo
dos
sonhos
ímpios.
"Abordando o
exame
dessas
pretensões
estranhas,
que
não
se tem
ainda,
cremos,
suficientemente
desvendadas e flageladas, pedimos aos
nossos
leitores
consentirem
em
seguir
o
curso
um
pouco
longo
desse dédalo
diabólico,
de
onde
a
seita
espera
sair
triunfante,
depois
de
abolir
para
sempre
o
nome
divino
diante
do
qual
é
vista
a
dobrar
os
joelhos.
O
Espiritismo,
a
despeito
de
seus
ridículos,
de
suas
profanações revoltantes, de
suas
contradições
sem
fim,
nos
é
um
preciso
ensino.
Jamais
as
loucuras
do
inferno
tinham
dado,
à
nossa
religião
santa,
mais
estrondosa
homenagem.
Jamais
Deus
havia condenado
com
um
poder
mais
soberano
ao
confirmar,
por
esses
testemunhos,
a
palavra
do
divino
Mestre:
Vos
ex paire diabolo estis."
Este
início
faz
julgar
a
amenidade
do
resto;
aqueles
dos
nossos
leitores
que
quiserem se
edificar
nessa
fonte
de
caridade
evangélica,
poderão dar-se o
prazer
lendo a
Bibliografia,
n° 3 de
setembro
1860, rue de Sèvres, n°34.
Ainda
uma
vez,
porque,
pois,
tanta
cólera,
tanto
fel,
contra
uma
doutrina
que,
se
ela
é,
como
dizeis, a
obra
de
Satã,
não
pode
prevalecer
contra
a de
Deus,
a
menos
que
suponhais
que
Deus
seja
menos
poderoso
do
que
Satã,
o
que
seria
um
pouco
ímpio?
Duvidamos
muito
de
que
esse
desencadeamento
de
injúrias,
essa
febre,
essa profusão de epitetos dos
quais
o
Cristo
jamais
se serviu
contra
os
seus
maiores
inimigos,
sobre
os
quais
pedia a
misericórdia
de
Deus,
e
não
a
sua
vingança,
em
dizendo: "Perdoai-lhes,
Senhor,
porque
não
sabem o
que
fazem;" duvidamos, dizemos,
que
uma
tal
linguagem
seja
muito
persuasiva.
A
verdade
é
calma
e
não
tem
necessidade
de
desatinos,
e,
por
essa
raiva,
fareis
crer
em
vossa
própria
fraqueza.
Confessamos
não
compreender
muito
essa
singular
política
de
Satã
que
glorifica o
cristianismo
para
aviltá-lo,
que
o difunde
para
suprimi-lo;
em
nossa
opinião,
isso
seria possivelmente
inábil
e se pareceria
muito
com
um
jardineiro
que,
não
querendo
mais
ter
batata-inglesa,
para
destruir-lhe a
espécie,
as semearia
em
profusão
em
seu
jardim.
Quando
se acusa os
outros
de pecarem
por
falta
de
raciocínio,
é
necessário
começar
a
ser
lógico
pessoalmente.
O Sr. Georges Gandy
briga
mortalmente
com
o
Espiritismo
por
se
apoiar
sobre
o
Evangelho
e o
cristianismo,
não
sabemos verdadeiramente
porquê;
que
diria,
pois,
se se apoiasse
sobre
Maomé?
Muito
menos,
seguramente,
porque
é
um
fato
digno
de
nota
que
o
islamismo,
o
judaísmo,
o
budismo
mesmo,
são
objeto
de
ataques
menos
virulentos
do
que
as
seitas
dissidentes
do
cristianismo;
com
certas
pessoas,
é
preciso
ser
tudo
ou
nada.
Há
um
ponto
sobretudo
que
o Sr. Gandy
não
perdoa ao
Espiritismo,
que
é o de
não
ter
proclamado esta
máxima
absoluta:
"Fora
da
Igreja
não
há salvação," e
admitir
que
aquele
que
faz o
bem
possa
ser
salvo
das
chamas
eternas, quaisquer
que
sejam as
suas
crenças;
uma
tal
doutrina,
evidentemente,
não
pode
sair
senão
do
inferno.
O
seu
verdadeiro
objetivo
se descobre
sobretudo
nesta
passagem:
"Que
nos
quer
o
Espiritismo?
É uma
importação
americana,
protestante
antes
de
qualquer
outro,
e
que
tinha
já
triunfado, -digna-nos dizê-lo, -
sobre
todas as
pragas
da
idolatria
e da
heresia;
tais
são
os
seus
títulos
a
respeito
do
mundo.
Seria,
pois,
de
terras
clássicas da
superstição
e de
loucuras
religiosas,
que
nos
viriam a
verdade
e a
sabedoria!"
Eis
certamente
um
grande
perigo;
se tivesse nascido
em
Roma, seria a
voz
de
Deus;
nasceu num
país
protestante,
é a
voz
do
diabo.
Mas
que
direis
quando
tivermos provado, o
que
faremos
um
dia,
que
foi na Roma cristã
bem
antes
de
ser
na América
protestante?
Que
respondeis a
este
fato,
constante
hoje,
de
que
há
mais
Espíritas
católicos
do
que
Espíritas