Trechos do livro de Jayme Andrade, "O Espiritismo e as Igrejas Reformadas".
Trechos do livro de Americo Domingos, Porque Sou Espirita.
Texto do Reformador, de Março de 97, sobre Reencarnação.
Texto da Revista Espírita Allan Kardec: "Regenerar e evoluir".
Segundo nossos irmãos, a Reencarnação tornaria "desnecessário o sacrifício de Jesus na cruz, nos libertando do pecado com seu sangue".
Não negamos a doutrina da Redenção. Apenas acreditamos que ela se realizará no mundo através do amor. Para isso, o Mestre nos deixou o seu ensino e o seu exemplo. Quando os homens, repudiando os dogmas e preconceitos a que se aferram há tantos séculos, abrirem as portas da percepção para assimilar a cristalina simplicidade dos ensinamentos do Cristo, eles fatalmente se redimirão pelo amor, cuja prática concorre para o resgate das faltas, como a Escritura deixa bem claro em Prov. 10:12 (O amor cobre todas as transgressões) , Lucas 7:47 (Muito será perdoado a quem muito amou) e I Pedro 4:8 (O amor cobre a multidão de pecados). (1)Devemos lembrar que traduções mais antigas, como a minha Bíblia de João Ferreira de Almeida de 1948, falam em "caridade", não "amor". Possivelmente, as alterações foram feitas por causa do "Fora da caridade não há salvação", do Espiritismo. O sacrifício de animais pelos pecados dos israelitas era um ato próprio de um povo bárbaro, sendo inconcebível que Deus, o mesmo que afirmou: "Misericórdia quero, não sacrifício" (Oséas 6:6) engendrasse tão absurdo "plano" para resgatar os erros da Humanidade. Cristo se sacrificou para assegurar o cumprimento da grandiosa missão que o fez descer a Terra. Sua morte, sem duvida alguma, estava nas previsões divinas, para provocar o impacto que se fazia necessário na consciência dos homens, seus contemporâneos e os das gerações vindouras. Ele mesmo disse: "Quando for levantado da Terra, atrairei todos a mim!" (João 12:32) Nós, espíritas, entendemos que Jesus veio ao mundo para ensinar aos homens a lição do amor (João 12:34) e que a sua morte, predita por vários profetas, resultou da inadequação da Humanidade para assimilar suas extraordinárias mensagens. Os discípulos e os primitivos cristãos atribuíram a essa morte um caráter propiciatório porque entre os judeus estava secularmente arraigada a noção do resgate das faltas pelo derramamento do sangue. Era um costume milenar a imolação de animais pelos pecados do povo e isso naquelas eras barbaras não deixava de ter um fundamento psicológico, pois funcionava como catarse coletiva, contribuindo para aliviar as consciências culpadas. Mas hoje, com as luzes de que dispõe a Humanidade, é possível perceber que não haveria justiça em fazer um inocente responder pelos erros dos culpados. Alias, nem mesmo o sangue de touros e de bodes podia tirar os pecados de ninguém, como podemos ler em Hebreus 10:4. E em Ezeq 18:20 vemos que a responsabilidade é pessoal e o justo não paga pelo pecador.
Será mesmo que não é preciso trabalhar, lutar pela nossa reforma íntima e apenas dizer "Senhor, Senhor" e crer que o sangue do Cristo nos liberta??
Não, Cristo negou isso:
"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha." (Mateus 7:22-24)
Não está evidente que é necessário colocar seus ensinos em prática?
Para que não haja mais dúvida:
"Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado." (I João 1:6-7)
Como os versículos acima bem mostram, temos que andar na mesma luz em que Ele está, ou seja, SEGUIR SEU EXEMPLO, e não apenas dizer que tem comunhão com ele ou, como nos versículos que citei antes, dizer "Senhor, Senhor", e ser HIPÓCRITA, pois isso era típico dos fariseus apegados a lei e que não buscavam a reforma intima.. Andando todos na luz, estaremos em comunhão uns com os outros, porque a paz se instalará na Terra e o Reino de Deus estará entre nós.
21Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vos, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. (1 Pedro 2:21)
38E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. 39Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á. 40Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. 41Quem recebe um profeta na qualidade de profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá a recompensa de justo. 42E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes pequeninos, na qualidade de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá a sua recompensa. (Mateus 10:38:42)
E não adianta também citar os inúmeros versículos em que está escrito que "crer em Jesus salva". E o que é crer em Jesus? Para nós, é acolher no coração os seus ensinos e passar a viver de acordo com os seus preceitos. E o que foi, realmente, que Ele ensinou? Quais os preceitos que ministrou? Ensinou a amar até mesmo nossos inimigos, a perdoar e esquecer as ofensas, a extirpar do coração o egoísmo e o orgulho, a fazer aos outros o que queremos que eles nos façam, a sempre retribuir o mal com o bem, a socorrer os irmãos em suas necessidades sem visar a qualquer recompensa, a compreender, servir, perdoar indefinidamente...
Até mesmo no Julgamento que vemos em Mateus 25:31-46, Jesus colocou como condição única da salvação a prática do amor nas relações com o próximo:
31Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; 32e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; 33e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda. 34Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; 35porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; 36estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. 37Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? 38Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? 39Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? 40E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes. 41Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; 42porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; 43era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes.
44Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? 45Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim. 46E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.
Quando cada ser humano se compenetrar desta verdade e promover sua reforma íntima, a Humanidade inteira estará reformada e o Reino do Céu se instalará na Terra. E através da LUTA cada um de nós - não apenas o que tem essa ou aquela CRENÇA - atingirá a perfeição dos Espíritos Puros, irmanando-se ao Cristo e integrando-se ao Pai. Creio ser essa uma salvação muito mais justa do que aquela só para um certo número de eleitos com uma crença subjetiva, sem resultados práticos. E como ficariam os judeus, muçulmanos, budistas... ? Eles formam a maior parte da Humanidade, e nunca "conheceram Jesus"!!
"Deus não faz acepção de pessoas, mas lhe é agradável a todo aquele que, EM QUALQUER NAÇÃO (não precisa ser "cristão", não), o teme e obra o que é JUSTO (Atos, 10:34 e 35)
Amigos protestantes e católicos: Homens como Chico Xavier e Gandhi se dedicaram ao próximo mais do que muitos que seguem os dogmas das igrejas. Estariam eles condenados, mesmo com tanta fé e amor, por não seguirem a crença de que o sangue de Jesus, o próprio Deus encarnado, liberta o homem de todo o seu pecado? Se a resposta é sim, respondam se acham justo?? Que Deus é esse?? Se acham que, para nós, o sacrifício do Cristo é inútil, o que acham vocês dos ensinos do Cristo, que ainda disse: "Se sabeis destas coisas, bem-aventurados sereis se as praticardes" (13:17)?? Ora, certamente, Ele não ensinou tudo aquilo em vão, mas sim para pormos tudo aquilo em prática. Também não colocou outra condição além de PRATICAR tudo o que Ele ensinara. Não disse: "se as praticardes, sem esquecer de me idolatrar como Deus...".
Também falam sobre Cristo ter dito ser o único caminho. Mas o que quer dizer isso?? Ele disse que cada um deve pegar a sua cruz e segui-lo. Quem pratica suas palavras, estará seguindo o caminho certo, estará NA LUZ, conforme os versículos de I João citados lá em cima. Há grandes protestantes cristãos, católicos cristãos, espíritas cristãos e até os que não seguem o "Cristianismo", como Gandhi, pois todos vivenciam os ensinos do Cristo, sem buscar recompensas e com humildade. E de que vale fazer o bem, para que vou lutar contra as minhas imperfeições, se basta eu acreditar em Jesus como um Salvador que se sacrificou por nós? Então, vou matar, vou roubar, e então no último dia da minha vida basta eu dizer "Senhor, Senhor"...
E ainda citam Paulo, que afirmou:
"Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus. Não vem de obras, para que ninguém se glorie" (Efesios 2.8,9)
Paulo diz: "Não vem de obras, para que ninguém se GLORIE". Sim, é necessário praticar o bem sem interesses, conforme eu já falei. Ao dizer que ninguém se salvaria pelas obras da lei, Paulo estava querendo demonstrar que de nada adiantava a escravidão as formulas e ordenações sem a fé. A lei, por si mesma, não salva e não salvava ninguém, apenas prescrevia o que é certo e o que é errado, o que se deve e o que não se deve fazer. A seu ver, estavam justificados os gentios que cumpriam naturalmente a lei, sem que para isso estivessem sujeitas a ela como os judeus (Romanos 2:12 e seguintes). Ele advertia os cumpridores hipócritas dos preceitos bíblicos.
Alias, é justamente isso o que ele faz em Romanos, 2:17-23:
"Mas se tu, que te dizes judeu e descansas na lei; que te glorias em Deus; que conheces sua vontade; que discernes o melhor, segundo a lei e te jactas de ser guia de cegos, luz aos que andam nas trevas, educador de ignorantes, mestre de crianças, porque possuis na lei a expressão mesma da ciência e da verdade... Pois bem, tu que instruis os outros, a ti mesmo não instruis! Pregas: não roubar! E roubas! Proíbe o adultério e adulteras. Aborreces os ídolos e saqueias os templos. Tu que te glorias na lei, transgredindo-a, desonra a Deus".
O próprio Paulo afirmou em Romanos 2:6: "(Deus) dará a cada um segundo as suas obras". Paulo também escreveu: "Importa que compareçamos perante o tribunal do Cristo, a fim de que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito enquanto no corpo" (II Cor. 5:10)
E Paulo escreveu ainda o mais belo texto que se conhece sobre o poder e a glória da caridade, que ocupa todo o capitulo 13 da Primeira Epistola aos Corintios. Novamente, traduções mais recentes dizem "amor", não "caridade". Nós, espíritas, acreditamos que todas as religiões são importantes desde que levem a reforma íntima do indivíduo. Não basta deixar de fazer o mal. O mais importante é pôr o BEM em prática. Isso é que Jesus nos ensina com a parábola do Bom Samaritano, do Julgamento, entre muitas outras passagens bíblicas, e NENHUMA vez disse que o fundamental era crer que Ele é Deus, que o Pai e Filho são um e outros dogmas.. Uma senhora conhecida minha, que já faleceu, foi espírita a vida toda, mas tinha um filho protestante. Quando ela estava no hospital, o filho e amigos ficaram incomodando a pobre coitada, insistindo para que ela se convertesse, já no final de sua vida. Depois, no cemitério, não deixaram que os espíritas nem se aproximassem do enterro. Acham que essa é uma atitude cristã? Ou uma atitude arrogante dos que se julgam certos de que estão salvos, apenas porque "acreditam em Jesus"? Ora, não basta dizer apenas "Senhor, Senhor", já dissera o Mestre. E a salvação é para todos os justos, não para os que os crêem nisso ou naquilo...
O próprio Jesus assim disse sobre o assunto:
"Propôs Jesus esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e DESPREZAVAM OS OUTROS: Subiram dois homens ao templo para orar: um fariseu, e outro publicano. O fariseu orava de pé, e dizia assim: graças te dou, o meu Deus, por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros. E não ser também como é aquele publicano. Eu, por mim, jejuo duas vezes por semana e pago o dizimo de tudo quanto possuo. Apartado a um canto, o publicano nem sequer ousava erguer os olhos para o céu; batia no peito e exclamava: Meu Deus, apiedai-vos de mim, pecador. Digo-vos, acrescentou Jesus, que este voltou justificado para sua casa, e o outro não, porque todo aquele que se exalta será humilhado, e todo aquele que se humilha será exaltado" (Lucas, 18:9-14)
Já encontrei na Internet católicos e protestantes que até não aceitavam chamar os espíritas de irmãos.
Tudo isso,
devido a uma má interpretação dos versículos abaixo:
" 4mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, 5para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. 6E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. 7Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus. 8Outrora, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses; 9agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?" (Gal.4:4-9)
Mas o que é necessário para sermos merecidamente chamados de filhos de Deus? Basta citar trechos e mais trechos da escritura e ser como os fariseus hipócritas, sepulcros caiados, desprezando os outros como o fariseu da parábola do fariseu e publicano? Não!! Disse Jesus:
" 9Bem-aventurados os
pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus." (Mateus
5:9)
" 44Eu, porém, vos digo: AMAI aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; 45para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. 46Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo? " (Mateus 5:44)
" 48Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial." (Mateus 5:48)
E ainda dizem os católicos e protestantes que nós é que somos pretensiosos por acharmos que podemos nos "salvar pelos próprios méritos, sem a ajuda do Salvador Jesus". Mas, muito pelo contrário, o Espiritismo nos ensina o quanto somos imperfeitos e devemos lutar contra nossas imperfeições através das encarnações...
Dizem, ainda, que, "para os espíritas, não existe o perdão divino, pois o espírito deve voltar ao mundo, reencarnar, enquanto, Deus está a oferecer o seu perdão através do seu próprio sacrifício, já que ninguém é perfeito e capaz de salvar-se por si próprio". Reencarnação não é castigo. Lemos em O Evangelho Segundo o Espiritismo:
"A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É-lhes necessária, a bem deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência. Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de proceder. Qualquer privilégio seria uma preferência, uma injustiça. Mas, a encarnação para todos os Espíritos, é apenas um estado transitório. E uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre-arbítrio. Os que desempenham com zelo essa tarefa transpõem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é quando se torna um castigo. " - S. Luís. (Paris, 1859.)
Diz, ainda. o escritor espírita Hermínio Miranda, em entrevista dada pela Internet:
"Outro aspecto a considerar é o de que o destino de cada um de nós não está fatalisticamente determinado. Trazemos, ao renascer, um plano de trabalho, projetos a desenvolver, tarefas a cumprir, retificações a promover. Poderemos ter um bom índice de êxito, cumprirmos parcialmente o programa, realizá-lo todo ou simplesmente não fazer nada daquilo e em vez de nos resgatarmos de erros anteriores, acrescentar mais erros à carga que já carregamos do passado. Pelas numerosas comunicações transmitidas por intermédio de Chico Xavier, nos últimos anos, especialmente de jovens desencarnados em acidentes, percebe-se habitualmente a presença de um componente cármico embutido no processo, mesmo naquilo que parece aleatório, como uma bala perdida ou um disparo involuntário. Seja como for, o rumo de nossa vida na terra depende do comportamento de cada um. Muitos que vêm para a carne com pesados débitos de outras vidas resgatam-se pelo devotamento ao bem e ao próximo, sem aflições maiores. A lei divina não é punitiva(2) – ela é educativa. Por isso, diz Pedro, na sua epístola, que “o amor cobre uma multidão de pecados”.
Estranho alguém que crê em uma PENA ETERNA, acusar os espíritas de não crerem no perdão de Deus.
A Reencarnação, sim, mostra um Deus justo, oferecendo aos seus FILHOS novas oportunidades e não lançando diretamente no "fogo eterno". Até nas leis humanas, a pena é proporcional ao erro, como se dá com a Reencarnação.
Pior: esse "perdão" seria apenas para uns poucos eleitos, que antes tiveram a oportunidade de "conhecer Jesus", para poder aceitá-lo como seu "Salvador Pessoal". E onde está o perdão para aqueles que não aceitaram esse dogma e estão no inferno, onde estarão para sempre? E, pior, tendo uma vida inteiramente JUSTA, eles irão para o inferno simplesmente por não "terem Jesus como o seu Salvador pessoal". Em que essa crença subjetiva pode melhorar alguém?
"Os publicanos e prostitutas entrarão
primeiro que vós, fariseus hipócritas, no Reino de Deus" (Mateus 21:31)
Entrarão PRIMEIRO... então, TODOS entrarão.. Uns antes, mas TODOS entrarão...
Para nós espíritas, há áreas de espíritos sofredores, que chamamos de zonas umbralinas, assim como dos espíritos superiores. Mas não há eternidade das penas...
E a Bíblia pode falar em inferno eterno, mas quanta coisa chamamos "eterno", por ter um tempo indeterminado? O suplício de quem está sofrendo no fogo MORAL, por todo mal que fez, é tão grande que parece mesmo não ter fim.
Creio que uma mãe que está no céu, se deliciando com os prazeres celestiais, não se preocupa com os sofrimentos do próprio filho no Inferno, não merece estar onde está, pois é egoísta...
A "Parábola do Filho Pródigo", relatada por Jesus, mostra a eternidade do perdão.
(Veja o item Inferno)
Falam ainda da passagem bíblica com o "bom ladrão", que, segundo eles, foi "salvo" e não precisará mais reencarnar.
Cristo disse que o ladrão estaria com ele naquele mesmo dia no Paraíso, pois via o arrependimento nele e o Paraíso é um estado de espírito, o ladrão estaria em paz de espírito e futuramente reencarnaria, mas num estágio mais avançado em sua evolução espiritual, possivelmente resgatando seus erros voltando entre seus inimigos do passado e se redimindo através do amor, e não mais com muito sofrimento... Dizem, ainda, que "O fato de querer comprar um pedaço do céu com a caridade, está claro, quando agem exatamente como os fariseus, que ao levar a oferta para o Templo, tocavam as trombetas, anunciando a 'caridade'."
Quando agem assim, realmente são como os fariseus. Mas não é isso o que ensina o Espiritismo, e sim que a caridade se faz com humildade, desprendimento, perdão as ofensas, amando até aos inimigos, etc. O verdadeiro espirita busca fazer o bem por AMOR, com desprendimento, e não com interesses de conseguir um lugar no céu, mesmo porque acreditamos que na vida espiritual há muito TRABALHO na obra do nosso Pai e não um ocioso paraíso. Enfim, o Espiritismo nos ensina que temos RESPONSABILIDADE.
Um trecho do livro Nosso Lar, do espírito André Luiz, Psicografia de Chico Xavier, mostra bem o que estou dizendo. André Luiz, diz para a sua mãe, que vivia em esferas espirituais mais elevadas, e fora a cidade espiritual "Nosso Lar" o visitar:
"— Oh! minha mãe! deve ser maravilhosa a esfera da sua habitação! Que sublimes contemplações espirituais, que ventura!"
Ao que ela respondeu:
"— A esfera elevada, meu filho, requer, sempre, mais trabalho, maior abnegação. Não suponhas que tua mãe permaneça em visões beatificas, a distância dos deveres justos. Devo fazer-te sentir, no entanto, que minhas palavras não representam qualquer nota de tristeza, na situação em que me encontro. É antes revelação de responsabilidade necessária. Desde que voltei da Terra, tenho trabalhado intensamente pela nossa renovação espiritual. Muitas entidades, desencarnando, permanecem agarradas ao lar terrestre, a pretexto de muito amarem os que demoram no mundo carnal. Ensinaram-me aqui, todavia, que o verdadeiro amor, para transbordar em benefícios, precisa trabalhar sempre. Desde minha vinda, então, procuro esforçar-me por conquistar o direito de ajudar aqueles que tanto amamos."
Outro argumento dos católicos e protestantes:
"Como o homem pode se purificar das faltas e pecados cometidos nas encarnações anteriores se ele não possui a mínima lembrança do que fez?"
O Espiritismo não aconselha a terapia de regressão a vidas passadas, justamente porque não devemos mesmo lembrar. Inimigos do passado costumam conviver conosco novamente, até na própria família. Já pensou como seria reconhecer em seu filho o seu assassino? Ou, ainda, já pensou como seria penoso viver sabendo dos erros que você cometeu em vidas passadas? Não seria terrível conviver com isso? Quantas besteiras que fizemos e gostaríamos de esquecer!! E, se você foi um assassino, teria que viver sabendo que, seguindo a lei de ação e reação, pode de uma hora pra outra vir a ter uma morte trágica e violenta...
Outro argumento que usam contra a Reencarnação:
"Se os espíritos reencarnacem, a população mundial seria sempre a mesma"..
Deus não pára nunca de trabalhar, de criar novos espíritos, indefinidamente. Assim, há sempre espíritos na fase inicial aqui na Terra, que são os selvagens, e, no plano espiritual, há vários espíritos sofrendo, buscando novas oportunidades para continuar sua evolução na Terra ou outro planeta, pois não só aqui se reencarna.
Dizem, ainda:
"Se a Reencarnação existisse, o mundo deveria estar perfeito, devido a evolução dos espíritos..."
Não será em pouco tempo. A Humanidade evoluiu mais pelo lado intelectual do que moral. Mas basta pegar um livro de história antiga e medieval para vermos que o mundo está bem melhor em relação à épocas anteriores. De propriedade de soberanos e nobres, com uma servidão agrária generalizada, passamos a um sistema onde nos são dados meios de mudança, ainda que haja muita injustiça a se corrigir. Não há gladiadores, escravidão e muitas outras coisas terríveis que eram tidas como normais. Vemos o Velho Testamento e também vemos coisas terríveis. (veja o item "Palavra de Deus").
Como explicar as aparentes injustiças do mundo sem a Reencarnação? Seria a causa dos males da Humanidade o pecado original, por Adão cometido?
" aqueles dias não dirão mais: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram. Pelo contrário, cada um morrerá pela sua própria iniqüidade; de todo homem que comer uvas verdes, é que os dentes se embotarão. (Jeremias 31:29-30)
No livro Muitas Vidas, Muitos Mestres, diz o psiquiatra Brian Weiss:
"Durante a semana, reli o livro do curso de religiões comparadas que freqüentei no meu primeiro ano em Columbia. Havia de fato referências a reencarnação no Velho e no Novo Testamento. Em 325 d.C, o imperador romano Constantino, o Grande, e sua mãe, Helena, suprimiram as que estavam contidas no Novo Testamento. O Segundo Concílio de Constantinopla, reunido em 553 d.C, validou este ato, declarando herético o conceito de reencarnação. Aparentemente, ele enfraqueceria o poder crescente da Igreja, dando aos homens tempo demais para buscarem a salvação. Mas as referências originais existiam, os primeiros padres da Igreja haviam aceitado a idéia. Os antigos gnósticos – Clemente de Alexandria, Origenes, São Jerônimo e muitos outros – acreditavam ter vivido antes e que voltariam a viver."
No livro Cristianismo e Espiritismo, Leon Denis diz:
"Essa doutrina de esperança e de progresso não inspirava aos olhos dos chefes da Igreja, o suficiente terror da morte e do pecado. Não permitia firmar sobre bases convenientemente sólidas a autoridade do sacerdócio. O homem, podendo resgatar-se a si próprio das suas faltas, não necessitava do padre. O dom de profecia, a comunicação constante com os Espíritos, eram forças que, sem cessar, minavam o poder da Igreja. Esta, assustada, resolveu pôr termo a luta, sufocando o profetismo. Impôs silêncio a todos os que, invisíveis ou humanos, no intuito de espiritualizar o Cristianismo, afirmavam idéias cuja elevação a amedrontava".
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Notas:
(1) Em algumas traduções da bíblia em lugar da palavra «amor» está a palavra «caridade».
Observação do autor deste email
(2) Todo espírita deverá prestar atenção para não cometer erros doutrinários, a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec se expressa da seguinte maneira, senão, vejamos;
TEXTOS EXTRAÍDOS DA CODIFICAÇÃO QUE JUSTIFICAM OS CASTIGOS DIVINOS E QUE SÃO TEMPORÁRIOS, OU SEJA:
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