Um espírito pode interferir na vida de outro?

 

 

Texto canalizado na ONG Círculo de São Francisco (www.csf.org.br)
São Carlos/SP – 10/08/2006.


Na pergunta 551, dO Livro dos Espíritos, está explicito que Deus não permite
que um homem mau, com a ajuda de um mau Espírito, faça mal ao seu próximo.
Essa é mais uma das inúmeras questões dO Livro dos Espíritos que muitos
espíritas ignoram. Por isso, acreditar que alguém pode prejudicar o outro é
uma informação presente na doutrina espírita humanizada, mas que não
pertence à doutrina espírita dos espíritos.
Da mesma forma que a Bíblia é utilizada para satisfazer todos os tipos de
egos, onde cada um sempre encontra um trecho para ilustrar o seu
individualismo, defender a sua verdade, a doutrina espírita humanizada
distorce ou ignora os ensinamentos do Espírito da Verdade para satisfazer
interesses particulares.
Por não compreender que o único mal que existe na terra é o egoísmo, muitos
livros espíritas, escritos por encarnados ou não, encontram culpados para o
seu sofrimento ou de outra pessoa. Assim, acusa-se um médico de erro,
acusa-se um desencarnado de prejudicar o trabalho em uma casa espírita,
acusa-se o governo pela miséria, acusa-se outras religiões pelo fato da
Terra não ser ainda “evoluída” etc., esquecendo-se que Deus não permite que
o “mal” ou algo que não contemple o gênero de provas escolhido pelo próprio
espírito aconteça e que “o que Deus quer, deve ser; se há atraso ou
obstáculo, é por Sua vontade” (pergunta 529).
Para a doutrina espírita humanizada o ser humano tem o livre arbítrio para
alterar a ordem material da vida ou até mesmo de tirar a vida humanizada de
um outro espírito antes da hora, quando, na questão 853, está claro que,
qualquer que seja o perigo que nos ameace não morremos se a hora não é
chegada, e que Deus sabe, antecipadamente, de qual gênero de morte
partiremos da Terra.
Essa contradição aparece freqüentemente nos livros espíritas, sejam eles
escritos por encarnados ou por desencarnados, e é fruto da chamada fé
raciocinada, algo que nos impede de viver a Fé, a entrega incondicional aos
desígnios de Deus. Ou seja, se tivéssemos Fé jamais julgaríamos ou
condenaríamos ninguém. O outro é sempre o instrumento para nossas provações
e aquilo que nosso ego julga como mal ou errado é exatamente o que
precisávamos vivenciar, são nossas vicissitudes negativas, e nada mais. Se
um espírito humanizado não precisa passar por uma determinada experiência na
qual seria uma pobre vítima, ou se tal experiência iria levá-lo a sofrer
injustamente, Deus, de alguma forma, não a permitiria. Leiam as respostas do
Espírito da Verdade às questões 525, 526, 527 e 528. Em resumo, se você
precisa desencarnar caindo de uma escada, será intuído para ir até a escada
carcomida; se precisar desencarnar com um raio, será intuído para ir até a
árvore onde o raio cairá e se não deve perecer vítima de um tiro, será
intuído para se desviar. Só a Fé raciocinada, como dissemos, nos impede de
aceitar que nada acontece sem que Deus permita e nos ilude acreditando que
temos qualquer possibilidade de alterar um fato material. Todo o nosso livre
arbítrio após a humanização se restringe à dimensão moral, ou seja, com que
intenção vamos nos envolver naquele fato, com amor ou com egoísmo
(individualismo). Isso é ensinado também no Baghavad Gita, por exemplo.
Quando alguém acusa quem quer que seja por qualquer erro ou injustiça,
esquece-se ou ainda não tomou consciência de que Deus não permitiria que o
“mal” fosse feito, ou seja, ninguém sofre pelo “erro” do outro, uma vez que
não há erro algum no mundo material. Tudo funciona perfeitamente para que os
espíritos humanizados vivam suas provações, resultantes do gênero de provas
escolhido antes da encarnação.
Quando o espírita julga, critica ou condena o governo, o médico, o
catolicismo ou o que quer que seja pelo seu “sofrimento” ou de outro
espírito humanizado, esquece que o egoísmo é o maior dos males e que deve
começar por combater o seu próprio egoísmo, pois é ele que o impede de ver a
perfeição de Deus em todos os atos, mesmo naqueles que o ego (razão) acusa
como errado, injusto, etc. Quem tem fé raciocinada, esteja ou não encarnado,
verá injustiça onde, essencialmente, está a mão de Deus proporcionando
oportunidades de elevação espiritual.

São Carlos, 10 de Agosto de 2006

Observação: As mensagens canalizadas na ONG Círculo de São Francisco não
identificam o nome utilizado pelo espírito que se manifesta e nem dos
médiuns/sensitivos que as codificam. Se quiser divulgá-las em revistas,
sites ou outro meio, identifique apenas como mensagem canalizada pelo
Círculo de São Francisco.


comentário de Adilson Marques - um exemplo dessa confusão entre o que o
Espírito da Verdade afirma nO Livro dos Espíritos e o que se ensina em
alguns centros ou aparece escrito em vários livros ditos espíritas
encontramos no ótimo livro Diversidade de Carisma I. Apesar de ser um livro
esclarecedor sobre o tema da mediunidade, temos uma passagem em que o autor
comenta que uma médium – a protagonista do livro - seria submetida a uma
sessão de hipnose quando vê um espírito adentrar a sala, usando trajes de
enfermeira, e diz a ela que está ali para impedir a hipnose, pois esse
procedimento seria prejudicial para ela. O psicanalista, realmente, não
consegue hipnotizar a médium e fica sem entender o que aconteceu. Porém,
poucas páginas adiante, o autor narra um caso em que um militar
norte-americano que foi fazer uma regressão de memória, ficou preso a uma
personalidade vivida no século XIX devido a um “erro médico”. Ou seja, no
primeiro caso, Deus não permitiu que a hipnose prejudicasse a médium e se
esqueceu de seu outro filho, permitindo que ele passasse por uma experiência
que não estava escrita para acontecer, já que o autor diz que foi fruto de
um “erro médico”.  Ao invés de “erro médico” houve um “acerto médico”, pois
aconteceu o que tinha que acontecer, sendo, o médico, o instrumento para que
a prova daquele espírito humanizado e de sua família acontecesse. Em outras
palavras, nada é por acaso ou nada acontece sem que Deus permita. Se não
fosse para acontecer isso, ele não teria ido, o médico não conseguiria fazer
a regressão etc.

Obs. Esta e outras mensagens que parecem criticar o espiritismo são, na
verdade, mensagens resultantes do estudo dO Livro dos Espíritos no qual se
procura diferenciar a doutrina espírita ensinada pelos espíritos e a
doutrina espírita humanizada, criada pelos egos humanizados. São mensagens
direcionadas para os espíritas, em primeiro lugar, uma vez que há muito
barulho, muito proselitismo e muita doutrinação circulando pela internet, em
revistas ou em livros, mas pouca compreensão do que o Espírito da Verdade
realmente ensinou.

 

 

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