Um nascimento imparcial

 

 

            Quase sempre encontramos detratores do Espiritismo, e, ao ouvirmos seus argumentos, descobrimos que não sabem nada do assunto que combatem. Vejamos, então, como os acontecimentos se deram em relação ao “início” do Espiritismo.

As manifestações espirituais existem desde que o homem apareceu na Terra. Portanto, apenas se “descobriu”, ou melhor, se desvendou o que naturalmente acontece na natureza.

            Estamos no ano de 1848, quando, no vilarejo de Hydesville (Estado de New York – EUA), aconteceram as batidas na casa da família Fox, a pioneira na comunicação com os Espíritos.

            Conta-nos Arthur Conan Doyle:

            “Parece que esses ruídos não incomodaram a família Fox até meados de março de 1848. Desta data em diante cresceram continuamente de intensidade. Às vezes eram simples batidas; outras vezes soavam como o arrastar de móveis. As meninas ficaram tão alarmadas que se recusavam a dormir separadas e iam para o quarto dos pais. Tão vibrantes eram os sons que as camas tremiam e se moviam. Foram feitas todas as investigações possíveis: o marido esperava de um lado da porta e a mulher do outro, mas os arranhões ainda continuavam. (...) Finalmente, na noite de 31 de março houve uma irrupção de inexplicáveis sons muito altos e continuados. Foi nessa noite que um dos grandes pontos da evolução psíquica foi alcançado, desde que foi nessa noite que Kate Fox desafiou a força invisível a repetir as batidas que ela dava com os dedos.(...)

            “Conquanto o desafio da mocinha tivesse sido feito em palavras brandas, foi imediatamente respondido. Cada pedido era respondido por um golpe”.

            Assim, de maneira bem rudimentar, inicia-se um diálogo com o invisível causador das batidas. Ao dizer uma letra ocorria uma batida, então essa letra era para da palavra com a qual ele iria expressar seu pensamento. O ser invisível se revelou sendo um espírito de nome Charles B. Rosma. Em vida, foi um vendedor ambulante, cujo assassinato ocorreu naquela casa. Ele indicou o local onde o enterraram, mas após várias buscas não localizaram o cadáver. Somente, 56 anos mais tarde, foi descoberto o lugar onde o haviam sepultado. Até seu baú de vendedor foi encontrado, vindo a confirmar tudo quanto aquele espírito dissera. Notícia publicada no “Boston Journal” de 23 de novembro de 1904.

            Esses fatos causaram controvérsias e por isso se nomeou três comissões para investigá-los. A primeira concluiu que as batidas eram verdadeiras. A segunda procurou verificar se não se tratava de ventriloquia. Nesta, a conclusão foi que as batidas não eram produzidas por máquina ou pela ventriloquia. A terceira declarou que até perguntas feitas pelo pensamento foram corretamente respondidas.

            Com os fenômenos se alastrando pelo mundo, na França o pedagogo Denizard Hyppolyte Léon Rivail, deduziu que era necessário haver uma causa inteligente por trás das simples pancadas. A partir daí, Rivail, usando o pseudônimo de Allan Kardec, passa a catalogar as inúmeras mensagens que lhe chegam às mãos. Essas formaram, em 18 de abril de 1857, O Livro dos Espíritos. A base de toda a codificação Espírita.

            Não queremos alongar demais esse texto, por isso deixemos de lado os acontecimentos subseqüentes e vamos analisar o que acabamos de colocar.

            Queremos ressaltar três pontos. 1) As manifestações se iniciaram no meio dos protestantes. A família Fox era da Igreja Metodista, inclusive o pai, John Fox, era pastor. Na fase posterior, elas forneceram todo o material para que um católico fizesse delas uma doutrina filosófica. Assim, podemos dizer que o Espiritismo tem seu nascimento no meio católico e protestante. 2) As manifestações acontecem de forma natural. Ela começou por iniciativa dos próprios Espíritos. Ninguém os evocou. 3) Se os Espíritos vieram é porque Deus o permitiu, caso contrário não aconteceria. Por isso, de nada adianta apelar para a tal proibição bíblica de chamar os “mortos”. Aos que afirmam ser a Bíblia a expressão fiel da palavra de Deus, dizemos que se os “mortos” não se comunicassem com os vivos, não haveria sentido algum em proibir sua evocação, não é mesmo?

A família Fox acabou sendo expulsa da Igreja, pois não renegou sua missão. Afinal os espíritos lhes informaram que deveriam divulgar esses acontecimentos para a humanidade obter a prova da sobrevivência da alma. E é isso que nossos difamadores tentam abafar por todos os meios. Pois, com essa certeza, chegaremos à conclusão que o inferno, como um lugar de sofrimento eterno, não existe. Portanto, acabaríamos de vez com a arma que usam para explorar seus pobres fieis.

 

 

 

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Nov/2003.

 

 

Bibliografia:

DOYLE, Arthur Conan, História do Espiritismo, s.ed., São Paulo, Pensamento, 1995.

 

(Publicado na Revista Universo Espírita, nº 4, nov/2003, pág. 19).

 

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